Mandela: de preso político a líder mundial


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Enciclopédia Delta

Nelson Mandela, destaque na luta contra o apartheid.

No ano de 1961, a África do Sul tornou-se uma república, sistema em vigor até os dias atuais. No ano seguinte, o governo começou uma série de medidas drásticas para conter as mobilizações, tanto do CNA — Congresso Nacional Africano — quanto do CPA — Congresso Pan-Africano, uma dissidência do CNA.
Entre essas medidas, estava a decretação, em 1964, da prisão perpétua a Nelson Rolihlahla Mandela, acusado de sabotagem e conspiração. Tal condenação foi levada a efeito apesar dos inúmeros pedidos de governos europeus e de outros países pela absolvição do líder sul-africano.

Mas, afinal de contas, quem é Nelson Mandela que, apesar de 27 anos e 7 meses de prisão, veio a se tornar um dos rostos mais conhecidos do mundo e um dos líderes mais respeitados no final do século XX e início do XXI?

Crédito: Elizabeth Francis Benevides / Portal Educacional

Fotografia tirada em 2001 do presídio em Cidade do Cabo, local em que Nelson Mandela cumpriu parte de sua longa pena.

Pertencente à etnia xhosa, Mandela nasceu em Qunu, na região do Transkei, no ano de 1918, e foi o primeiro membro de sua família a frequentar a escola formal, vindo a completar seus estudos universitários com grande dificuldade, pois nessa época de sua vida já começava a participar do movimento estudantil. Por conta disso, foi expulso da universidade de Fort Hare, onde tinha ingressado em 1936.
Em 1942, além de começar a trabalhar em um escritório de advogados brancos, casou-se com a enfermeira Evelyn Ntoko Mase, com quem teve três filhos: Thembi, Nakgato e Makawize. Já em 1944 entrou para o Congresso Nacional Africano, passando à liderança do setor do Transvaal, e formou, junto com outros jovens militantes, a Liga da Juventude. Em 1947, foi eleito secretário-geral da Liga e, em 1950, seu presidente.
Em 1952, conseguiu formar-se em Direito e abriu um escritório em sociedade com Oliver Tambo — os dois formariam uma das mais famosas duplas na luta anti-apartheid, fixando-se em Johannesburgo. Em 1953, separou-se de Evelyn Mase e, em 1956, conheceu Winnie Nomzamo Madikizela — a primeira mulher negra a tornar-se assistente social no país — que seria sua grande companheira nos anos mais ferrenhos da luta anti-apartheid e também durante o longo período na prisão.
Ainda em 1956 foi preso, acusado de alta traição mas foi solto sob fiança. Ao final de cinco anos de julgamento, foi absolvido, mas passou a atuar clandestinamente, visto que nesse momento todos os seus passos eram vigiados atentamente pelo governo branco sul-africano. Em 1962, após várias viagens por diversos países africanos, retornou à África do Sul e foi preso e condenado a cinco anos de trabalhos forçados por incitação à greve e por sair do país sem documentos. Em 1964, recebeu a condenação de prisão perpétua, vindo a cumprir a pena na ilha de Robben, onde passaria os 18 anos seguintes. Em 1982, foi transferido para o presídio de Pollmor, na Cidade do Cabo. Já em 1985 o presidente Pieter Botha propôs a Mandela que o libertaria caso o prisioneiro abrisse mão da violência na sua luta contra o apartheid. Mandela respondeu que não aceitava e “deixava para que Botha renunciasse à violência”. Essa sua famosa resposta foi lida por sua filha no bairro do Soweto.
Finalmente, em 11 de fevereiro de 1990, após 27 anos e 7 meses de prisão, sem fazer nenhuma concessão ao regime branco que estava sob intensa pressão internacional, o presidente sul-africano Frederik De Klerk libertou Nelson Mandela. Livre da prisão, o líder assumiu novamente sua posição na maior organização da luta anti-apartheid, o CNA. Em 1994, foi eleito presidente da África do Sul.
Em 2010, vários países organizaram atividades comemorativas que lembravam os 20 anos de liberdade de Nelson Mandela. Em outros, foram publicados livros, biografias, coletâneas com as principais idéias do líder máximo da luta anti-apartheid.
No próprio país onde viveu, em recente pesquisa publicado pelo jornal The New York Times, Mandela foi apontado pela grande maioria como “o líder ideal – caloroso, magnânimo, disposto a assumir suas falhas – com o qual seus sucessores políticos procuram se comparar.”

Crédito: Crédito: Galeria de LSE Library

Nelson Mandela, em 2000, em Londres, durante uma palestra para discutir o tema “África e sua Posição no Mundo”.