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O medo que vem do laboratório  

Mais de um mês após a morte da primeira vítima do antraz, ainda paira sobre o mundo a ameaça do uso de armas de destruição massiva


Bactéria de antraz vista ao microscópio.

"Um modo barato de disseminação máxima de terror". Assim a jornalista americana Judith Miller definiu o "trote de antraz" de que foi vítima nas dependências do New York Times. Dezenas de pessoas evacuaram a redação do jornal. Antes de sair, algumas delas, por precaução, já haviam tomado antibióticos. Agentes de polícia tiraram fotos do "local do crime" e um esquadrão de homens protegidos por máscaras antigás e roupas impermeáveis irrompeu no escritório. O escarcéu estava armado.

Era 14 de outubro de 2001. Nos EUA, vivia-se o auge do frenesi provocado pelo bioterrorismo (cerca de dez dias antes, o antraz provocava a primeira morte: Robert Stevens, fotógrafo da American Media, na Flórida). Desde o início da crise, o FBI já recebeu mais de 10 mil denúncias de atentados biológicos ou químicos. A maioria falsa, como o de Judith. Só depois que dois testes preliminares e um definitivo indicaram que o pozinho branco "que parecia talco infantil" não continha antraz, ela pôde respirar aliviada.

É justamente entre alívio e pânico que o mundo se divide ante o risco da utilização de armas de destruição em massa. Apesar do triste saldo de 18 infecções e quatro mortos por inalação de antraz (até 7 de novembro), o FBI acredita que o pior já passou nessa onda de atentados bioterroristas, que já dura pouco mais de um mês. Postos de correio antes interditados estão reabrindo aos poucos; a corrida por remédios antiantraz tende a se acalmar.

Nem por isso o serviço secreto americano tem motivos para comemorar. Até agora, as investigações não deram em nada. Segundo a Agência France Presse, o chefe da seção antiterrorismo, Jean Caruso, admitiu ao Senado que desconhece completamente os responsáveis pelos atentados e se eles têm origem interna ou internacional. Caruso ignora até quantos laboratórios nos EUA teriam a bactéria. Com tamanha fragilidade, o aparente retorno à normalidade talvez não passe de uma trégua dos terroristas.

Leia a seguir um dossiê completo sobre armas químicas e biológicas.


O ALERTA DA OMS  

DESTRUIÇÃO EM MASSA  

ARMAS QUÍMICAS  
Agente laranja, gás cianídrico, gás cloro e gás mostarda. O que você sabe sobre essas perigosas armas químicas?
ARMAS BIOLÓGICAS  
O antraz virou notícia. Conheça outros tipos de agentes biológicos usados por terroristas para espalhar o pânico.

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