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29.ª edição


A relação entre política e arte é o tema da 29.ª Bienal, que está de portas abertas. O título Há sempre um copo de mar para um homem navegar foi emprestado da obra Invenção de Orfeu (1952), do poeta Jorge de Lima. Segundo o curador Moacir dos Anjos, a frase foi escolhida porque representa a força da arte. “Esse verso é uma metáfora de que com muito pouco e em um espaço exíguo a arte pode muito. Não é nossa intenção oferecer respostas acabadas sobre essa relação entre arte e política nos dias de hoje. Interessa muito mais formular as questões de uma maneira adequada e fornecer possibilidades múltiplas de entendimento”.

São 850 obras de 159 artistas brasileiros e internacionais, em uma mostra que não é apenas contemplativa. O público interage com as diferentes formas de arte. Em meio aos corredores, foram construídos seis espaços de convívio, definidos como terreiros. Uma oportunidade para fazer uma pausa e até virar objeto de arte por alguns instantes.

Cada instalação tem um título e uma temática diferente. O terreiro da performance intitulada O outro, o mesmo, de Carlos Teixeira, foi feito com papelão prensado para poder mudar de forma. Com programação regular de filmes e vídeos, o espaço A pele do invisível é reservado para projeções audiovisuais e leva a assinatura do artista esloveno Tobias Putrih. Em alusão à obra de Guimarães Rosa, o terreiro Dito, não dito, interdito foi construído pelo arquiteto Roberto Loeb e pelo grafiteiro Kboco para ser palco de debates e conversas. Mesmo conceito tem o terreiro apresentado pelos arquitetos do UN Studio de Amsterdã, nomeado de Eu sou a rua. Um misto de biblioteca e labirinto é o espaço Longe daqui, aqui mesmo, assinado por Marilá Dardot e Fábio Morais. Por fim, em meio a todos esses locais, Ernesto Neto montou Lembrança e esquecimento, um convite para o visitante tirar os sapatos e ficar ali lembrando o que viu, conversando ou repondo as energias para seguir em frente.

A arquitetura da mostra imita um labirinto e pode fazer com que o público se perca em alguns momentos ou até volte ao ponto de partida. Percorrendo caminhos aleatórios ou seguindo um roteiro, há obras que merecem atenção.

Plateia

Crédito: Bianca Krebs

Como forma de questionar as relações de poder, o português Pedro Barateiro expõe esta plataforma de cimento, tijolos e pequenas cadeiras.

350 Pontos em Direção ao Infinito

Crédito: Bianca Krebs

No teto, fios prendem os pêndulos de metal. No chão, as estruturas metálicas são atraídas por ímãs. O resultado é um emaranhado de fios que parecem desafiar a gravidade. A obra é assinada por Tatiana Trouvé.

Circle of Animals

Crédito: Bianca Krebs

O trabalho inédito do chinês Ai Weiwei é inspirado no conjunto de cabeças de bronze originalmente situadas no antigo palácio imperial de verão em Pequim e que representam as doze figuras do zodíaco.

Escape

Crédito: Bianca Krebs

Relógios dispostos em diferentes alturas não marcam as horas, mas, sim, sentimentos como êxtase, culpa, dever e ansiedade. A obra foi desenvolvida por Raqs Media Collective, um grupo de profissionais que atua em diversas áreas como artes e cultura.

Os mestres e as criaturas novas (remixstyle)

Crédito: Bianca Krebs

O angolano Yonamine cria uma sala que convida o visitante a participar da obra. Ali se aplicam elementos serigrafados: jornais brasileiros e uma cortina constituída de sacos plásticos transparentes, novos e reciclados. A própria fachada de vidro do pavilhão é também serigrafada.