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Polêmicas


Pelo menos três episódios polêmicos já marcaram esta edição da Bienal. Primeiro foram os pichadores. Além de terem fotografias e desenhos expostos, eles ganharam espaço na mostra por meio de debates e discussões. “Algumas pessoas podem achar que é promover o vandalismo, outras acham que é um tipo de arte, depende do ponto de vista. Eu acho importante que esse tipo de manifestação seja exposta”, argumenta a artista plástica chilena Angil Saiz, que veio de Santiago para ver a Bienal.

Pouco antes da abertura, a série Inimigos, do artista plástico pernambucano Gil Vicente, foi criticada. As imagens mostram o próprio artista preparado para matar personalidades como o presidente Lula, Fernando Henrique Cardoso, George Bush e o Papa Bento XVI. A obra levou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) a pedir ao Ministério Público que investigue se as imagens fazem apologia ao crime. O caso parece ter despertado o interesse do público, que se espreme para ver os desenhos gigantes. “Se fossem pessoas comuns, não iria chamar a atenção da OAB. Eu sou a favor da liberdade de expressão sempre e não concordo com nenhum tipo de censura. Achei os desenhos bem provocativos. Gostei.”, comenta o advogado Julio Freitas.

Crédito: Bianca Krebs

A OAB pediu a retirada da série Inimigos (na foto, com a rainha Elizabeth) da Bienal, mas o fato da criação de Gil Vicente ser apartidária, garantiu sua permanência.

Outra obra de destaque é a do brasileiro Nuno Ramos. Ele criou uma estrutura no vão central do pavilhão que abriga três urubus vivos e caixas de som tocando músicas como Bandeira branca, que deu título ao trabalho. Até ativistas de ONGs de defesa dos animais se juntaram para protestar. No dia da abertura, a instalação foi alvo de pichação. A frase pedia a liberdade dos animais. O pichador foi detido pela polícia e o caso foi parar nas manchetes dos jornais. Para o promotor de justiça José Silvério, que veio de Minas Gerais para visitar a Bienal, o episódio só reforça a característica irreverente do evento. “A Bienal é instigante. Aqui a polêmica tem vez. Isso torna os trabalhos mais interessantes”.

Crédito: Bianca Krebs

Polêmica: a Fundação Bienal tinha licença do Ibama para as aves comporem a obra de Nuno Ramos, mas os urubus tiveram que ser retirados do local, quando o próprio Ibama revogou a licença após diversas manifestações.