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As causas e conseqüências da perda de biodiversidade Imagine a seguinte situação:
você passou toda a vida com sua família harmoniosamente em uma
cidade onde estão seus melhores amigos, sua escola, o trabalho dos seus
pais, mercados, lazer e tudo mais que você precisa para viver. De repente,
chega um grupo de alienígenas e decide viver na sua cidade. Mas eles
simplesmente tomam conta de tudo e deixam você sem nada do que possuía
antes. Que opções você tem (se é que tem)? Resta
mudar para outro lugar e enfrentar muitas dificuldades na tentativa de reaver
sua vida anterior. É muito provável que você não
tenha sucesso nessa empreitada e, neste caso, você pode não sobreviver
à mudança. O desaparecimento da sua cidade como era antes vai
causar, além de tudo isso, uma quebra nas relações que
seu povo tinha com outras cidades, como compra e venda de produtos, acordos
de proteção mútua, etc. Ou seja, indiretamente, aquela
ação dos alienígenas causou um grande desequilíbrio
em toda a região. Outra hipótese seria a de que o seu povo decidisse
lutar contra os forasteiros, o que causaria muitas perdas para os dois lados.
Parece uma cena de filme de ficção
científica, mas é o que acontece quando se fala em redução
da biodiversidade. É importante lembrar que todos os seres, incluindo
os humanos, estão conectados e dependem uns dos outros (como na cadeia
alimentar, por exemplo). Desta forma, à medida que destruímos
a biodiversidade, colocamos em risco nossa própria existência.
Entre as principais causas da perda de biodiversidade, podemos citar:
- Destruição e diminuição dos hábitats naturais;
- Introdução de espécies exóticas e invasoras;
- Exploração excessiva de espécies animais e vegetais;
- Caça e pesca sem critérios;
- Tráfico da fauna e flora silvestres;
- Poluição do solo, água e atmosfera;
- Ampliação desordenada das fronteiras agropecuárias dentro
de áreas nativas;
- Mudanças climáticas e aquecimento global.
Como conseqüência dessa perda, as populações humanas
sofrerão uma queda significativa da qualidade de vida, que refletirá
diretamente em pontos como o suprimento de alimentos e manutenção
da saúde, a vulnerabilidade a desastres naturais, redução
e restrição do uso de energia, diminuição da oferta
e distribuição irregular de água potável, aumento
de doenças e epidemias, instabilidade social, política e econômica,
entre outros.
Em março de 2006, os signatários da Convenção
sobre Diversidade Biológica estiveram reunidos no Brasil, na cidade de
Curitiba, para a COP8 (Oitava Conferência das Partes da Convenção
sobre Diversidade Biológica), durante a qual foi lançado um relatório
alarmante sobre a destruição da biodiversidade no Planeta. Entre
os dados que constam do documento estão, por exemplo, o de que só
entre 1970 e 2000 caiu em 40% a diversidade de espécies animais. A perda
anual de florestas na atual década tem sido de 6 milhões de hectares
(o equivalente a cerca de 8 milhões de campos de futebol). O documento
também chama atenção para o aumento da intensidade e da
variedade das ameaças à biodiversidade causadas pela ação
humana, destacando a introdução de espécies invasoras em
ecossistemas alheios por meio de navios turísticos ou de carga, causando
distorções na cadeia alimentar, sem falar do aumento desenfreado
do consumo.
Sabia que para satisfazer o padrão atual de consumo do homem, a Terra
teria que aumentar em 20% sua capacidade de renovar os recursos naturais?
Para amenizar este problema, o documento propõe medidas como a criação
de programas nacionais de proteção ao meio ambiente. Nesse ponto,
o estudo indica que há avanços significativos por parte de praticamente
todos os países signatários. O Brasil está na vanguarda:
tem uma das mais avançadas legislações ambientais do mundo.
O problema está no cumprimento dessas leis, o que toca no segundo ponto
importante proposto pelo documento da CDB: investir em pessoal e estrutura para
a proteção da biodiversidade. Só para citar um exemplo,
um outro relatório, emitido pela ONU em setembro de 2007, aponta que,
dos 2.684 locais identificados pelo Ministério do Meio Ambiente como
áreas que precisam de projetos especiais de preservação,
apenas 1.123 estão sendo devidamente atendidas. Voltando ao documento
da CDB, ele também indica a importância de inserir o cuidado com
o meio ambiente na agenda do empresariado, principalmente dos ramos de alimentos
e energia, dois dos que mais contribuem para o aquecimento global.
Defender a biodiversidade não é “papinho de ambientalista”.
É lutar pela minha sobrevivência, a sua e a de nossos filhos, netos,
bisnetos... É hora de repensar nossa posição como espécie
dominante do Planeta e dar uma nova orientação à ciência
e à tecnologia na busca de soluções que nos tirem dessa
enrascada.
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Efeitos
do aquecimento global sobre a biodiversidade
leia mais::
As mudanças climáticas já
mostram interferências significativas sobre a biodiversidade
e sobre os ecossistemas. O impacto é grande e tem afetado a
distribuição das espécies, o tamanho das populações,
as épocas de reprodução e migração
e o aumento da freqüência de pragas e epidemias. As mudanças
no clima previstas até o ano 2050 poderão levar à
extinção muitas espécies em áreas geográficas
reduzidas e, portanto, mais vulneráveis.
Entre outras conseqüências das mudanças climáticas,
estão:
- Desertificação e diminuição da quantidade
e qualidade da água em regiões áridas e semi-áridas;
- Aumento da incidência de secas e inundações;
- Diminuição da produção de energia elétrica
e de biomassa em algumas regiões;
- Aumento da incidência e ampliação das áreas
endêmicas de doenças como malária, dengue, cólera,
etc., assim como outros problemas de saúde decorrentes do calor
excessivo, da desnutrição e das catástrofes naturais;
- Declínio da produtividade agrícola e pesqueira;
- As mudanças no clima, o mal-uso do solo e a proliferação
de espécies invasoras reduzirão a capacidade das espécies
nativas de migrar ou se adaptar aos ambientes degradados.
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Os
hotspots
leia mais::
São
reservas de biodiversidade catalogadas pela organização
Conservation Internacional (CI) e que se encontram ameaçados.
São 34 os hotspots identificados na lista da CI, e
o Brasil abriga dois deles em seu território: a Mata Atlântica
e o Cerrado. Trata-se de áreas com alta incidência de
espécies endêmicas, ou seja, que possuem espécies
só encontradas nessas regiões. Segundo a CI, ainda que
os hotspots representem apenas 1,4% da superfície
da Terra, concentra-se aí cerca de 60% do patrimônio
biológico e genético do mundo no que diz respeito a
plantas, aves, mamíferos, répteis, anfíbios e
muitos artrópodes, como insetos, crustáceos e aracnídeos.
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A
lista vermelha
A lista vermelha é um levantamento feito pela União Mundial
pela Conservação da Natureza (IUCN) que lista espécies
ameaçadas em todo o mundo e as classifica pelo seu risco de extinção.
Seu objetivo primordial é identificar e documentar as espécies
que necessitam de maior atenção para sua conservação.
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As nove categorias
da lista vermelha da IUCN, com suas respectivas siglas, em ordem decrescente
de ameaça são:
- Extinto (EX): quando não se encontram mais indivíduos
vivos de determinada espécie, seja em seu ambiente natural
ou em cativeiro.
- Extinto na natureza (EW): quando a espécie é encontrada
somente em cativeiro.
- Em perigo crítico (CR): espécies em risco extremamente
alto de extinção na natureza.
- Em perigo (EM): espécies em risco muito alto de extinção
na natureza.
- Vulnerável (VU): espécie em risco alto de extinção
na natureza.
- Quase ameaçado (NT): espécies prestes a entrar nas
categorias de risco de extinção.
- Pouco preocupante (LC): espécies com grande número
de indivíduos e com ampla distribuição geográfica,
que ainda não correm riscos de extinção.
- Dados insuficientes (DD): espécies que não possuem
informações suficientes, diretas ou indiretas e que
não podem ser classificadas adequadamente.
- Não-avaliado (NE): espécies não-avaliadas pelos
critérios da IUCN.
Links para maiores informações sobre a lista vermelha
do IUCN:
- UICN
(em inglês)
- UICN
América latina (em espanhol)
- O Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA)
também possuem uma lista vermelha das espécies ameaçadas
de extinção no Brasil. Para ver a lista, clique
aqui.
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