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Segundo Aramis, os motivos que levam a esse tipo de violência são
extremamente variados e estão relacionados com as experiências
que cada aluno tem em sua família e/ou comunidade: “Famílias
desestruturadas, com relações afetivas de baixa qualidade, em
que a violência doméstica é real ou em que a criança
representa o papel de bode expiatório para todas as dificuldades e mazelas
são as fontes mais comuns de autores ou alvos de bullying”.
Das onze escolas avaliadas na pesquisa da Abrapia, nove eram públicas
e duas particulares. Não houve diferenças quanto à incidência
de bullying. O que se observou foi que a forma como ele é praticado varia
de uma escola para outra. Nas particulares, por exemplo, valorizam-se muito
os bens materiais, como carro, tênis importado, etc. Nessas instituições,
não possuir algum desses bens pode ser motivo para perseguições.
Já nas escolas públicas, a principal razão é a própria
violência vivenciada cotidianamente pela comunidade.
Para a socióloga, essa é uma comparação difícil
de ser feita. “Se você me perguntar onde existe mais intimidação,
ou bullying, se na escola pública ou privada, responderei que não
tenho idéia. No entanto, com relação à violência,
é evidente que ela ocorre com mais força no lugar onde há
menos condições de controle. E, na verdade, a escola privada tem
muito mais condições de controlar aquilo que está acontecendo
dentro de seus muros, com ela mesma ou com seus alunos. E os pais que têm
filhos em escolas privadas podem entrar lá e intervir. Os alunos podem
voltar para casa e discutir o problema com eles, e os pais, por sua vez, têm
a possibilidade de ir à escola reclamar, mudar o filho de horário,
de colégio, etc. Já em uma escola pública isso jamais vai
acontecer! Se uma mãe for reclamar, os diretores e os professores nem
vão dar bola”, afirma.
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