| Para quem é vítima de algum desses tipos de humilhação,
a saída é “se abrir”, ou seja, procurar ajuda, começando
pelos próprios pais.
E quem tem um filho passando por esse problema precisa mostrar-se disponível
para ouvi-lo. Nunca se deve aconselhá-lo a revidar a agressão;
mas, sim, esclarecer que ele não é culpado pelo que está
acontecendo. Também é fundamental entrar em contato com a escola.
Mas, se os pais não têm certeza de que seu filho sofre com essa
violência, podem ficar atentos aos seguintes aspectos: “Os alunos-alvo
são crianças ou adolescentes que são, sistematicamente,
discriminadas, humilhadas ou intimidadas por outros colegas. Geralmente, eles
têm poucos amigos, procuram se isolar do grupo e são identificados
por algum tipo de diferença física ou comportamental. Além
disso, têm dificuldades ou inabilidades que os impedem de buscar ajuda,
são desesperançados quanto a sua aceitação no grupo
e tendem a um comportamento introvertido”, explica Aramis.
Especialistas do mundo inteiro concordam sobre o fato de que o papel dos pais
— tanto de alunos agressores como de agredidos — é fundamental
para combater a violência moral nas escolas e de que eles precisam saber
lidar com a situação. No caso dos pais de agressores, é
preciso que se convençam e mostrem aos filhos que esse comportamento
é prejudicial a eles. “De acordo com dados obtidos em trabalhos
internacionais, não existe escola sem bullying. O objetivo é alterar
a forma de avaliação do que é uma brincadeira e do que
é bullying, mudando o enfoque da questão para a valorização
do sentimento de quem sofre bullying, ou seja, respeitando seu sofrimento e
buscando soluções que amenizem ou interrompam isso”, diz
o coordenador da Abrapia. “Os autores de bullying podem se tornar líderes
entre os alunos por disseminarem o medo e estarem repetindo seu modelo familiar,
em que a afetividade é pobre ou a autoridade é imposta por meio
de atitudes agressivas ou violentas”, completa.
Segundo Aramis, a única maneira de combater esse tipo de prática
é a cooperação por parte de todos os envolvidos: professores,
funcionários, alunos e pais: “Todos devem estar de acordo com o
compromisso de que o bullying não será mais tolerado. As estratégias
utilizadas devem ser definidas em cada escola, observando-se suas características
e as de sua população. O incentivo ao protagonismo dos alunos,
permitindo sua participação nas decisões e no desenvolvimento
do projeto, é uma garantia ainda maior de sucesso. Não há,
geralmente, necessidade de atuação de profissionais especializados;
a própria comunidade escolar pode identificar seus problemas e apontar
as melhores soluções”. Para o médico, a receita é
promover um ambiente escolar seguro e sadio, onde haja amizade, solidariedade
e respeito às características individuais de cada um de seus alunos.
“Enfim, é fundamental que se construa uma escola que não
se restrinja a ensinar apenas o conteúdo programático, mas também
onde se eduquem as crianças e adolescentes para a prática de uma
cidadania justa”, finaliza.
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