"O futebol no Brasil não é um esporte. É o jogo da bola, da malícia, do drible. É o jogo que reflete a própria nacionalidade de uma terra dominada pela paixão da bola. No espaço do jogo, o futebol brasileiro é capaz de esquecer o próprio objetivo do gol, convicto de que a virtude sem alegria é uma contradição. Ganhemos a Copa ou não, somos os campeões da paixão despertada pela bola."
(Texto extraído do livro Brasil, o País do Futebol, de Betty Milan.)

Copa do Mundo 2002: prepare o despertador!

Daniélle Carazzai

Cartaz de promoçâo da Copa do Mundo 2002.
Foto: Fifa

Ano de Copa do Mundo é ano especial para os brasileiros. Nas escolas, na televisão, nos jornais, enfim, no pensamento de todos existe um sonho: o pentacampeonato! Embora a seleção brasileira não represente hoje, com tanta veemência, a nossa superioridade no esporte que é paixão nacional, e paire a incerteza de que ainda somos mesmo o país do futebol, a expectativa é grande. Mesmo com as derrotas para equipes relativamente inferiores ao Brasil nas eliminatórias e de uma classificação apertada para ir à Copa, o torcedor brasileiro se esforça para não perder a esperança, embora não esteja lá muito confiante. Embora sejam fãs incondicionais do futebol, os brasileiros vêm sendo tentados a freqüentar outras arquibancadas: para ver o time de voleibol do técnico Bernardinho, as lutas vencedoras de Popó, o encantamento da ginasta Daniele Hipólito, as conquistas de Gustavo Borges nas piscinas do país e do mundo ou, ainda, a volta de Guga às quadras de tênis. Embora nestes e em mais um grande número de modalidades esportivas os atletas brasileiros se destaquem, não há menino que não curta a bola, o gol... em um país que ainda não conseguiu driblar a desigualdade social. O futebol vem dando resultados quando o assunto é responsabilidade social, e muitas iniciativas, que partem tanto de jogadores quanto de instituições como a Fifa, começam a colher resultados positivos desse olhar mais cuidadoso sobre a sociedade.

Neste ano, a Copa do Mundo acontecerá na Coréia do Sul e no Japão. Isso significa que, para assistir aos jogos e torcer pelo Brasil, o telespectador terá de se desdobrar. Afinal, os jogos ao vivo serão transmitidos praticamente de madrugada. Será que o patriotismo e o fanatismo brasileiro pela bola chegam a tanto? Isso é o que veremos a partir de maio, quando começa a competição. A estréia do Brasil, cabeça-de-chave do Grupo C, será no dia 3 de junho contra a Turquia. Os demais adversários da primeira fase são as seleções da China (08/06) e da Costa Rica (13/06). Todos sem muita tradição em Copas do Mundo: a China é estreante no mundial; Turquia e Costa Rica disputam pela segunda vez.

Além das atenções de todos os países, a Copa do Mundo também é campo fértil para os negócios. Japão e Coréia investiram mais de US$ 1 bilhão só na construção e reforma de estádios, sem contar os gastos com segurança, entre outros. Produtos licenciados, patrocinadores, direitos de transmissão para televisão e publicidade estão no "pacote" que movimenta a economia mundial. Embora, atualmente, o futebol já não seja a mina de ouro que era há 10 anos. Pelo contrário, para esta edição da Copa do Mundo, alguns investidores já começam a prever prejuízos, principalmente depois da quebra da empresa suíça de marketing esportivo ISL, parceira da Fifa.

Pelas últimas pesquisas realizadas na Internet, o mundo está apostando nas seleções da França e da Argentina como candidatas ao título de campeãs da Copa do Mundo de 2002. Mas, para os brasileiros, apaixonados por futebol, apesar de todas as críticas, apesar das crises, apesar de Romário, apesar das fracas apresentações da seleção, apesar dos pesares: vai dar Brasil, é claro!

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