| Marketing esportivo: só para grandes
públicos
Enquanto a Copa do Mundo movimenta bilhões de dólares
com patrocinadores, outros esportes ainda sofrem para conseguir
apoio. Em primeiro lugar, porque não há público
suficientemente interessado para assisti-los até conseguirem
destaque nacional ou internacional, como é o caso dos esportes
de Guga, Daniele Hipólito e Popó. O futebol ainda
é o "queridinho" do público e da mídia,
pelo menos no Brasil, mas a situação, lentamente,
está mudando.
 |
Os mascotes "orientalizados" da
Copa. Pela primeira vez, três mascotes em uma só
Copa.
Imagem: Fifa |
O marketing esportivo começou, de fato, na década
de 60, nos Estados Unidos, onde o esporte profissional foi mais
precoce em se associar com a televisão. A explicação
é do professor Dr. Marcelo Weishaupt Proni, mestre em Economia
e doutor em Educação Física pela Unicamp. Segundo
ele, o primeiro grande patrocinador de uma Copa do Mundo foi a Coca-Cola,
em 1978, que pagou US$ 8 milhões para a Fifa.
No Brasil, as empresas privadas só começaram a perceber
a força do marketing esportivo na década de 80, embora
o verdadeiro impulso só tenha acontecido mesmo nos anos 90,
com a Parmalat patrocinando o time do Palmeiras e com o Corinthians
recebendo apoio do grupo Excell.
Mantendo as devidas proporções, o investimento em
marketing esportivo no Brasil é três vezes menor que
na Alemanha e no Japão. A principal mídia utilizada
no Brasil é a televisão, que abocanha 48% de toda
a verba do marketing esportivo. "As campanhas publicitárias
não podem utilizar apenas a televisão, que é
muito cara; portanto, há bastante espaço para a mídia
impressa e o rádio, por exemplo", afirma Proni.
Longo prazo
Poucas empresas investem sistematicamente no marketing esportivo.
São mesmo os grandes eventos, com grande público,
que atraem a atenção dos empresários. E, portanto,
o esporte, em outras modalidades que não o futebol, acaba
sem incentivo, o que acarreta a falta de resultados mais significativos.
É uma bola de neve: a iniciativa privada não investe,
o atleta não tem como se aperfeiçoar; o atleta não
consegue resultados porque não tem recursos financeiros.
O resultado: Daniele Hipólito, Popó, Guga, Gustavo
Borges e tantos outros nomes que, hoje, a gente conhece bem são
verdadeiros heróis da resistência.
Para Proni, esse quadro está mudando, mas bem lentamente.
"O problema de alguns esportes individuais é que não
há um grande público interessado no 'espetáculo',
o que dificulta sua inserção em programas de televisão
ou na cobertura jornalística. Creio que o decisivo, nesse
caso, é o surgimento e a permanência de grandes atletas,
como foi o caso do Guga, para que a modalidade possa ganhar mais
força e espaço na mídia brasileira".
A Nestlé, no início deste ano, lançou uma
nova ação de marketing voltada para a área
esportiva, em parceria com a All-E (do Grupo Total). Por meio de
uma competição intercolegial para alunos do Ensino
Médio de escolas públicas e privadas de São
Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, as empresas promoveram a 1.ª
Vibração Nestlé, com um investimento de R$
5 milhões, que é bastante considerável para
um projeto de curta duração. As competições
acontecerão em 6 meses - começaram em abril - e serão
praticadas em 11 modalidades esportivas. Em todas as fases do evento,
os atletas Raí, Giovane, Aurélio Miguel e Paula estarão
envolvidos.
Guerra na Coréia do Sul e Japão
Os olhos do mundo, a partir do dia 31 de maio, estarão voltados
para os dois países-sede da Copa do Mundo 2002: Coréia
do Sul e Japão. E quem não gostaria de ver sua marca
estampada nas principais mídias, nos grandes estádios,
nas transmissões via televisão e Internet? Pois é,
mas para estar lá, garantir presença antes da concorrência,
foi necessário desembolsar uma boa quantidade de dinheiro.
A Adidas saiu na frente. Além de garantir lugar como uma
das patrocinadoras oficiais da Copa deste ano, vai fornecer os uniformes
para os voluntários, bandeirinhas e árbitros de todas
as partidas. São US$ 40 milhões em marketing para
o Mundial. O licenciamento de produtos e a marca da empresa estampada
tanto na logomarca da Copa 2002 quanto no troféu da seleção
campeã também fazem parte da estratégia da
empresa.
Já para vestir as seleções a disputa é
mais acirrada. Nike e Adidas estão no páreo. A Adidas
vai vestir nove seleções contra oito da Nike. Enquanto
a primeira terá a França, Argentina, Alemanha, Espanha,
Suécia, Turquia, África do Sul, China e Japão;
a segunda aposta na Bélgica, Coréia do Sul, Estados
Unidos, Rússia, Croácia, Nigéria, Portugal
e no Brasil. As marcas menores representam as seleções
restantes.
Os investimentos são altos para atrair a atenção
e o coração dos cerca de 1,5 bilhão de telespectadores.
A Nike deve gastar aproximadamente US$ 30 milhões, 20 só
com a seleção brasileira. Para escolher as seleções
que iria patrocinar, a empresa levou em consideração
a paixão pelo futebol e o jogo alegre em primeiro lugar.
"Isso explica a escolha do Brasil, da Holanda - que foi desclassificada
-, de Portugal e da Nigéria. Depois, nos voltamos para seleções
que têm condições de crescer numa Copa, como
a Rússia, a Croácia e a Bélgica", explica
Ingo Ostrowski, responsável pela comunicação
da marca no Brasil. Para Luciano Kleiman, gerente de brand marketing
da Adidas, o segredo é apostar nas seleções
certas: "A idéia do quanto mais, melhor, já era".
Coca-Cola ou guaraná?
O lançamento de produtos e promoções encontra
terreno fértil em época de Copa do Mundo. Quem não
viu o Romário dizendo que vai à Copa "e no melhor
lugar"? Na cadeira reservada da Coca-Cola!
A Nike lança sua nova chuteira pelos pés do brasileiro
Roberto Carlos e do português Figo. E ainda tem Ronaldo como
sua maior estrela - torcendo para que o jogador esteja de volta
aos gramados para a Copa deste ano. Completam o time da Nike Ronaldinho
Gaúcho (Brasil), Henry (França) e Cannavaro (Itália).
Uma goleada!
A resposta da Adidas vem dos seus garotos-propaganda: Zidane (França),
David Beckhan (Inglaterra) e da jovem revelação brasileira,
Kaká, do São Paulo. A torcida da Adidas é pela
convocação do atleta.
Com a marca estampada na camisa da Seleção Brasileira,
o Guaraná Antárctica também está jogando
um bolão na Copa do Mundo de 2002. Luiz Felipe Escolari é
o astro da campanha publicitária que está sendo veiculada
antes dos jogos terem início. Ao lado dele estão 170
milhões de torcedores brasileiros, que terão a difícil
missão de escolher se, na hora do jogo e da pipoca, vão
beber Coca-Cola com Romário ou Guaraná Antárctica
com Felipão!
Copa
do Mundo 2002 | O negócio
do futebol | A Copa na era
digital |
Marketing esportivo | O
futebol pelo social
|