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O negócio do futebol
O caixa já não anda tão alto como há
dez anos e a Copa de 2002 parece estar sendo um marco para os negócios
do futebol mundial. Apesar dos negócios gerados pela indústria
da Copa, as denúncias de corrupção e a quebra
da empresa suíça de marketing esportivo ISL anunciam
prejuízos, especialmente para as empresas de comunicação.
O futebol é um negócio que movimenta US$ 200 bilhões
no mundo. Na Copa do Mundo de 2002, que acontecerá de maio
a junho na Coréia do Sul e no Japão, foram investidos
US$ 1,5 bilhão para a construção e reforma
dos estádios de futebol, sem contar os gastos com segurança
que, após os atentados terroristas de 11 de setembro, não
devem ser poucos. Os números impressionam, mas o negócio
do futebol já não vai tão bem.
Embora há dez anos o futebol tenha se tornado uma mina de
ouro, a realidade hoje é outra. No Brasil, culpa da recessão,
da péssima imagem da CBF - após as denúncias
de sonegação fiscal e da evasão de divisas
apuradas pela CPI do Futebol - e da má administração
dos clubes de futebol - que estão praticamente falidos, especialmente
após a mal-sucedida transição para que se tornassem
empresas. Enfim, da falta de seriedade.
Cartão vermelho
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| O atual presidente da Fifa, Joseph Blatter. |
Neste ano, o jornal inglês Daily Mail fez denúncias
contra a Fifa. Afirmou que tanto João Havelange quanto seu
sucessor na presidência da Fifa, Joseph Blatter, tinham conhecimento
de um esquema de compra de votos nas eleições para
presidente da entidade em 1998. Joseph Blatter venceu Lennart Johansson
por 111 a 80 votos. Segundo o jornal, seis representantes das confederações
de países da África Ocidental foram "convencidos"
a mudar o voto. Em troca, a Fifa teria financiado despesas pessoais
e de hotel no valor de US$ 200 mil. O escândalo ganhou força
com a revelação do presidente da Federação
da Somália, Farah Addo, que afirma ter recusado US$ 100 mil
para mudar seu voto na eleição de 98. Blatter e Havelange
negam envolvimento no caso, mas, até que se esclareça
o episódio, a Fifa sofre o abalo da falta de credibilidade
mundial.
Enquanto em um passado recente Copa do Mundo significava contratos
de direitos de transmissão que dobravam de valor a cada renovação
e altos investimentos em todo o mundo, a situação
agora é de refluxo. A Fifa já afirma que perdeu dinheiro
(estimativas chegam a US$ 600 milhões). Isso sem contar a
crise nas empresas de comunicação - principais fontes
de crescimento no lucro vindo do esporte. Nem a Internet, com seu
crescimento em todo o mundo e como alternativa nova de mídia,
foi capaz de segurar a onda recessiva.
Batata quente
Após a falência da ISL, principal parceira da Fifa
na Copa 2002, o grupo alemão Kirch tornou-se o grande "fiador"
da Copa, agregando os direitos de transmissão da competição
para todo o mundo aos já adquiridos direitos de transmissão
para a Europa. Pela exclusividade, desembolsou a considerável
quantia de US$ 1,8 bilhão, mas não foi fácil
convencer o mercado de que era bom negócio. No Brasil, a
Rede Globo pagou US$ 220 milhões pelos direitos de transmissão
quando o mercado ainda estava em alta, o que significa que, provavelmente,
irá amargar prejuízos. Mas a situação
não é difícil só aqui. "As renegociações
em torno dos preços de direitos acontecem em toda a Europa",
afirma Marcelo de Campos Pinto, principal executivo da Globo Esportes,
braço da emissora carioca para os negócios do esporte.
Um dos reflexos dessa "batata quente" que se tornou o
mercado de direitos de transmissão dos jogos foi a quebra
no setor esportivo. Ninguém quer mais arriscar: nem as empresas,
nem as redes de televisão. O negócio do futebol já
não significa retorno publicitário garantido e a Fifa
planeja uma reação que coloque no mercado US$ 420
milhões por meio de uma operação financeira
inédita. Se dará certo, ainda é cedo para dizer,
mas, depois de um acordo com o banco Credit Suisse First Boston,
a Copa do Mundo tornou-se títulos no mercado financeiro -
ou seja, é negociável na bolsa de valores -, o que
significa um impulso para a reação pretendida pela
Fifa.
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Apesar dos problemas, na América
Latina, o futebol ainda movimenta o mercado
- A venda de televisores no Brasil, mercado de US$ 1 bilhão
anuais, crescerá 5% por causa dos jogos da Copa do
Mundo. Isso significa 250 mil televisores a mais nas salas
dos brasileiros.
- A Adidas espera aumentar em 25% o seu faturamento na Argentina
com a venda de camisetas da seleção.
- O equatoriano Agustín Delgado, goleador nas eliminatórias,
foi vendido por US$ 10 milhões ao Southampton, da Inglaterra.
É o maior valor pago por um jogador equatoriano na
história do futebol.
- Depois da classificação da seleção
do Uruguai para a Copa, em novembro, a Câmara de Deputados
do país aprovou uma lei que aumenta de 5% para 10%
o imposto sobre venda de jogadores para o exterior.
- O mercado publicitário brasileiro - que movimenta
cerca de US$ 100 bilhões por ano - espera repetir em
2002 o crescimento de 15% registrado em 1998, na Copa do Mundo
da França.
- A Ambev tem um contrato de patrocínio de US$ 180
milhões com a seleção brasileira, por
dez anos, para ter sua marca estampada na camiseta.
- A Volkswagen prepara o lançamento de uma série
especial do Gol e espera vender pelo menos 6 mil carros na
época do mundial de futebol.
- A rede de supermercados Carrefour faz parte do grupo de
empresas que paga US$ 2 milhões mensais à Associação
de Futebol Argentino para ter direito de utilizar a imagem
da seleção em seus produtos.
- Nesta Copa, estima-se que cerca de 50 mil latino-americanos
viajarão para assistir aos jogos na Coréia do
Sul e no Japão.
(fonte: www.marketingesportivo.cjb.net)
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