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O que você pode fazer para ajudar a melhorar a qualidade de vida das crianças que moram na favela?

Mariana e Jailson concordam que o primeiro passo é romper a distância e o preconceito que existem em relação à favela e seus moradores. “Esse preconceito ajuda a criar a idéia de que o genocídio que há nessas regiões mais pobres do Brasil é algo natural”, diz ele. “É como se todos nós pensássemos mais ou menos assim: ‘essas pessoas não possuem nada, vivem da pior forma possível, não têm perspectivas, ou seja, vão morrer de qualquer jeito. De nada adianta tentar entendê-las ou fazer algo para ajudá-las?’”. Pensar assim é absurdo, claro, pois viver em melhores ou piores condições não faz de alguém uma pessoa melhor ou pior que as outras. Independentemente da vida que levam, todos os cidadãos devem ter seus direitos respeitados e receber condições mínimas para ter qualidade de vida.

Se você, criança ou adolescente, deixar um pouco de lado o que a maioria das pessoas e meios de comunicação dizem e procurar se informar por meio de livros, jornais e da Internet — ou seja, se fizer uma pesquisa de verdade —, descobrirá que os moradores da favela são muito parecidos com você. E se você tem acesso a educação de qualidade, saúde, respeito e tudo o mais que precisa para viver bem, por que eles não podem ter?

É possível interferir nessa realidade tomando atitudes simples. Veja, por exemplo, essa idéia da Mariana: “Quando você vir uma imagem de um menino com uma arma na não, procure se perguntar o que o levou a pegar naquela arma. Tente imaginar o que está acontecendo na vida e na comunidade dele. Informe-se”. Fazendo isso, com certeza você vai chegar a conclusões surpreendentes.

Você também pode mudar essa realidade respeitando as pessoas que você conhece e que moram na favela, como o porteiro do seu prédio, a faxineira da sua casa ou mesmo um parente ou amigo. Então, trate estas pessoas como você gostaria de ser tratado(a). Procure saber o que o governo está fazendo para melhorar a vida delas e cobre a adoção de políticas públicas nesse sentido.

Não às drogas!

Se não fossem uma droga, elas não teriam esse nome, não é mesmo? As drogas entram de mansinho na vida das pessoas, muitas vezes oferecidas por “amigos”, e podem acabar com ela. Depois que se experimenta uma vez, é muito difícil deixar de consumir. Muitas pessoas chegam ao ponto de roubar e matar para manter o vício. E quem usa drogas ilegais acaba, mesmo sem querer, alimentando a indústria do tráfico, que, como vimos, contribui para o aumento da violência nas grandes cidades.

Tome cuidado: drogas não são apenas as ilegais, como maconha, cocaína e crack. Álcool e cigarro também são, e das mais perigosas! “O álcool é hoje um dos maiores geradores de violência”, explica Mariana, da Coav. Então, já sabe: diga NÃO às drogas, sempre. Informe-se sobre o assunto em fontes de confiança e converse com seus pais, professores e amigos.

Foto: Fábio José de Souza
Cuidado: álcool e cigarro
também são drogas.

Jailson passa a bola para os professores: “Uma boa proposta é fazer com que alunos e educadores busquem ter contato com crianças que moram em alguma favela, comunicando-se por meio de carta ou outras formas. Assim, esses meninos e meninas começarão, juntos, a descobrir que têm os mesmos sonhos, que são pessoas parecidas e não estão tão distantes, apesar de viverem realidades diferentes.”

Oferecer ajuda em creches e orfanatos também pode ajudar. Mas lembre-se: é importante ver o morador da periferia não como alguém “necessitado”, que precisa de ajuda o tempo todo. Essas pessoas são como quaisquer outras, que têm habilidades, idéias, capacidades para desenvolver e muita vida pela frente! É aí que entra mais uma idéia do Jailson para os professores: criar canais de contato com grupos culturais da periferia, como os de hip-hop. Que tal desenvolver algo junto com eles, e não para eles? Imagine só como seria interessante desenvolver projetos colaborativos dessa forma, como a produção de um livro com fotos de diversos grupos sociais, cada um mostrando a sua realidade. Esse trabalho vai ajudar os jovens (tanto os que moram em áreas nobres como em favelas) a ter um novo tipo de percepção do outro. Quanto mais se conhecerem, mais esses adolescentes vão se entender, respeitar-se e sentir-se valorizados. O resultado veremos no futuro: cidadãos mais solidários, seguros, equilibrados e felizes, ou seja, prontos para promover a paz.


 

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