O mapa do trabalho infantil no Brasil
A maioria das crianças trabalhadoras está
nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul.
O estudo da OIT prevê que, ao final de 2015,
as regiões Centro-Oeste, Norte e Sudeste terão
as menores taxas de trabalho infantil. Mas o Nordeste
deve continuar com o maior índice. De acordo
com Renato Mendes, da OIT, antes de analisar essa situação,
é preciso considerar que o Nordeste tem uma das
maiores concentrações populacionais do
país, o que o torna, naturalmente, um candidato
a campeão de vários indicadores relacionados
a número de habitantes.
O que preocupa é que a quantidade de crianças
que trabalham nessa região (quase 13%) é
bem superior à do Sul (9,85%) e do Sudeste (4,96%).
No Nordeste, elas atuam principalmente no setor agrícola,
grande parte sem registro em carteira ou qualquer garantia
legal. Há muitas pequenas propriedades familiares,
que envolvem as crianças desde cedo na agricultura.
Entre as atividades rurais, as mais comuns são
a da cana-de-açúcar, abacaxi, coco e sisal.
Os acidentes são comuns, conforme conta Renato
Mendes: “Em dezembro de 2005, um menino morreu
atropelado por um trator enquanto trabalhava na cultura
do abacaxi, na Paraíba”.
Saiba
mais sobre o sisal e outras atividades.
Nas cidades nordestinas, o que mais preocupa é
o trabalho doméstico. A atividade é comum
em todo o Brasil, mas, no Nordeste, as crianças
que fazem esse tipo de trabalho — a maioria, meninas
— enfrentam condições precárias.
Muitas chegam a perder quase que totalmente o vínculo
com a família e, em algumas situações,
trabalham sob regime de escravidão. Nessa região,
é forte também o trabalho de crianças
no setor de serviços, comércio e na coleta
e reciclagem de lixo. Isso também acontece bastante
na Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná
— o que explica, em parte, a grande
participação do Sul nos números
do trabalho infantil no Brasil. Outra preocupação
na região nordestina é a exploração
comercial de crianças em pontos turísticos,
bem como o vínculo delas com o tráfico
de drogas. |