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A era da prosperidade

Crédito: Priscila Pugsley Grahl

Primeiras décadas do século XX. Os países que participaram da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) se recuperavam das baixas e dos gastos após o sangrento conflito. Os Estados Unidos, apesar de terem feito parte dele (entraram na guerra em abril de 1917), recuperaram-se rapidamente, tendo um verdadeiro crescimento econômico.

A década de 20 trouxe uma onda de otimismo ao país. Muito se produzia na agricultura e na indústria (que passou à produção em larga escala). Automóveis começavam a tomar as ruas e a população tinha acesso a mercadorias nunca antes imaginadas. Era uma revolução de consumo, com novos produtos (rádio, máquina de lavar, refrigerador, fogão, batedeira, liquidificador, etc.). Muitos destes foram criados com materiais químicos e sintéticos, com tecnologia desenvolvida durante a Grande Guerra.

Além de novos itens de consumo, um marketing poderoso incitava a compra. Como os anos 20 foram prósperos, os salários aumentaram e mais pessoas puderam comprar. Para quem não possuía dinheiro suficiente para adquirir tantas novidades, existia a possibilidade do crédito. O “compre agora e pague depois” seduziu a muitos… Eram os anos felizes.

Crédito: National Archives (NLR-PHOCO-A-53227(1657))
O rádio, um dos produtos que começou a fazer parte dos lares estadunidenses e auxiliou — e muito —, com suas propagandas, o consumo em massa da época.

Calvin Coolidge, 30.º presidente dos EUA, resumiria o clima da época em mensagem ao Congresso em 4 de dezembro de 1928:

Nenhum congresso dos EUA já reunido, ao examinar o estado da União, encontrou uma perspectiva mais agradável do que a de hoje… A grande riqueza criada por nossa empresa e indústria, e poupada por nossa economia, teve a mais ampla distribuição entre nosso povo, e corre como um rio a servir à caridade e aos negócios do mundo. As demandas da existência passaram do padrão da necessidade para a região do luxo. A produção que aumenta é consumida por uma crescente demanda interna e um comércio exterior em expansão. O país pode encarar o presente com satisfação e prever o futuro com otimismo. (HOBSBAWN, 1995, p. 90)

Neste clima de euforia, era impossível imaginar um futuro infeliz. Foram poucos os que se atreveram a prever o colapso que viria quase um ano depois.