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Da redação
17/04/2003

Rios sem peixes, sem vida, poluídos. O desastre ambiental de Cataguazes transformou os Rios Pombo e Paraíba do Sul em correntes de água morta, e serão necessários muitos anos para que se possa novamente pescar ou plantar nas áreas próximas a eles. Acima de tudo, esse desastre ainda vai se refletir muito na vida das populações das cidades vizinhas.

No dia 29 de março de 2003, um reservatório utilizado para receber os resíduos da queima de madeira da Indústria de Papel Cataguazes, em Cataguases, na Zona da Mata mineira, rompeu-se, provocando um acidente ambiental de grandes proporções. Mais de 1,4 bilhão de litros de uma mistura química usada na fabricação do papel vazou e atingiu a zona rural da cidade — onde vivem cerca de 70 mil habitantes — e os Rios Pomba e Paraíba do Sul. Isso comprometeu e suspendeu o abastecimento de água em cidades dos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro (o Rio Paraíba do Sul corre em direção ao mar, passando pelo estado fluminense).

Mais do que poluir os rios com uma extensa mancha negra, o desastre ambiental nos Rios Pomba e Paraíba do Sul afetou as populações que moram ao seu redor ou que retiram deles recursos necessários para sua sobrevivência, como água e peixes, usados tanto para a própria alimentação quanto para o comércio. Para se ter uma idéia da dimensão dos problemas que essas populações vão enfrentar, mesmo depois que a mancha negra ganhar o oceano, as substâncias que foram lançadas, altamente tóxicas, permanecerão durante anos no leito dos rios. São compostos organoclorados, que não se decompõem facilmente e cuja toxicidade é comprovadamente cancerígena.

O reservatório continha principalmente lixívia — uma solução à base de carbonato de sódio, usada no cozimento da madeira. Os componentes dessa substância permanecerão nas matas ciliares e nos sedimentos dos rios por bastante tempo, e os compostos orgânicos mais persistentes levarão anos para se decompor, prejudicando a agricultura local.

A fauna aquática e a que depende da água do rio também estão comprometidas. Em algumas cidades, milhares de peixes e lagostas apareceram boiando, vítimas da intoxicação. Mais de 600 mil pessoas ficaram sem abastecimento de água por causa do vazamento. Isso causou até alguns tumultos, como roubo de água. As pessoas foram orientadas para que evitem beber a água e alimentar-se de peixes desses rios e não consumam produtos da lavoura das proximidades deles.

A Cataguazes de Papel e a Florestal Cataguazes assumiram responsabilidades civis pelo vazamento. O diretor-administrativo do Grupo Cataguazes está preso em Campos, e o proprietário, foragido.

 
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