Monitoramento descobre novos vilões


O Inpe faz anualmente uma estimativa das taxas de desmatamento da Amazônia e, preocupado com a precisão dos dados, desde 2003 realiza esse processo por meio de uma classificação digital de imagens obtidas via satélite (o Landsat). O monitoramento da floresta por satélite permite que seja feito um estudo minucioso das imagens, que passam por um processo de tratamento digital complexo, capaz de analisar e organizar os dados e informações. Essas imagens trazem uma resolução de 30 m, o que deixa o produto final (um mapa geográfico) com uma margem de erro de aproximadamente 50 metros; ou seja, a precisão é bastante grande.

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia — Imazon — fez um estudo inédito usando também imagens do Landsat, mas em uma escala ainda mais precisa. Essa análise permitiu que a equipe responsável visse áreas menores que seis hectares atingidas pelo desflorestamento. E o resultado foi a descoberta de outros vilões do desmatamento: as estradas clandestinas e a grilagem.

Segundo o instituto, regiões que não deveriam apresentar índices altos de desmatamento acabam tendo graças a essas estradas clandestinas, que não são conectadas a nenhuma rodovia existente nos mapas oficiais. Elas são as responsáveis pela grande ocupação dos grileiros, que, por sua vez, aumentam consideravelmente as taxas de desmatamento. E, pior ainda, a ocupação é feita sem uma finalidade produtiva: os invasores querem apenas se consolidar nas terras. Para tomar posse delas, o grileiro derruba a vegetação e vende a madeira, que, para chegar ao comprador, não pode ser levada pelas vias públicas e, por isso, é transportada por caminhos alternativos, evitando-se assim a fiscalização.

A tecnologia espacial está colaborando muito nos estudos que possibilitam formar uma estimativa das áreas afetadas cada vez mais próxima da realidade (tanto na velocidade com que o desflorestamento ocorre quanto em sua extensão). Esses estudos devem auxiliar os órgãos responsáveis a tomar medidas para diminuir a destruição desenfreada da maior floresta do mundo.

anterior | próximo
   
Desmatamento da Amazônia é o segundo maior da história
A evolução da área desmatada
Monitoramento descobre novos vilões
A retirada ilegal de madeira
Pastos no lugar da mata
O cultivo de soja
A verdade sobre as queimadas