
Por: Gabriela Brandalise
Contar a história da Educação não é fácil, porque existem várias versões. Você pode começar explicando quando surgiu a pedagogia (adianto-lhe que foi na Grécia Antiga) ou de que modo a formação do caráter do indivíduo passou a fazer parte do conteúdo de aula. Ou, ainda, dizendo por que o curso técnico tornou-se necessário e em que momento surgiram os primeiros professores e as primeiras escolas.
É difícil explicar o motivo de a história da Educação misturar-se com a da própria humanidade.
Antigo Egito, Roma, Grécia, sociedades orientais, todos contribuíram para o aparecimento da Educação, que dá seus primeiros passos muito antes de Cristo. Nações diferentes mantiveram durante séculos um fator em comum: a parte da população considerada menos privilegiada, composta normalmente por lavradores, comerciantes e artesãos, não tinha direitos políticos nem acesso ao saber. Só a classe dominante podia aprender.
O conhecimento era bastante restrito, pois as autoridades sabiam que o homem munido de conhecimento tinha poder nas mãos. Era capaz de moldar a organização da população de acordo com seus interesses, normalmente ligados à exploração dos mais pobres. Com aquilo que aprendiam, embasavam suas falas em público, sempre que tinham de intervir nos conselhos do poder, e seus discursos eram feitos para enganar a multidão, suprimindo suas reclamações. Quanto aos mais pobres, tudo o que aprendiam limitava-se ao exercício de seu trabalho.
Mas o mundo, com o passar dos anos, foi mudando politicamente, socialmente e economicamente, o que forçou o ensino a adaptar-se. Na Grécia — que, como já dissemos, pode ser considerada o berço da Pedagogia —, a Educação ganhou uma nova missão: formar integralmente o indivíduo, por meio não só de preparo esportivo, importante naquela época, mas também de debate intelectual. Começaram a aparecer as primeiras escolas.
Veio o Renascimento, período marcado por transformações em muitas áreas da vida humana. Educar tornou-se quase uma exigência. E a meta da escola de ir além da transmissão de conhecimentos, alcançando a formação moral dos alunos, se solidificou.
No Brasil, a Educação teve início com a colonização. Os portugueses chegaram aqui com os padrões culturais europeus. Trouxeram a moral, os costumes e a religiosidade de lá, além dos métodos pedagógicos. Os índios tinham sua maneira própria de ensinar, mas ela foi sufocada pelo modelo europeu e por suas marcas de repressão.
A vinda da Família Real gerou mais mudanças. Para preparar terreno para sua estadia no Brasil, D. João VI, influenciado pela cultura europeia, abriu academias militares, escolas de Direito e Medicina, a Biblioteca Real, o Jardim Botânico e a Imprensa Régia.
Mas, mesmo assim, a Educação continuou em segundo plano. Enquanto nas colônias espanholas já existiam muitas universidades (em 1538 já estava de pé a Universidade de São Domingos, e em 1551, a do México e a de Lima), a primeira instituição de Ensino Superior brasileira surgiu apenas em 1934, em São Paulo.
Durante todo o Império, D. João VI, D. Pedro I e D. Pedro II pouco fizeram pela Educação nacional. A qualidade do ensino era ruim. Com a Proclamação da República, tentaram-se várias reformas que pudessem melhorar o sistema educacional. Anos se passaram, e até hoje o País luta por um processo de evolução significativo.