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Euro na União Européia, a crise na Argentina, o preço do dólar que sobe e desce... E o real, onde se encaixa nisso tudo? Conheça um pouco da trajetória do dinheiro no Brasil e descubra que o real também já foi a nossa primeira moeda e por que sempre estamos à deriva no contexto financeiro.
 Introdução
 A moeda no Brasil
 Como é feito
  o dinheiro?
 

Por Diogo Dreyer

Mais uma vez o Brasil passa por um período de incertezas econômicas - além de o preço do dólar estar disparando e o mercado de ações estar operando em baixa, há um novo fator entrando em cena: o risco país, índice que mede a confiança dos estrangeiros para investir dinheiro aqui. Parece que, a cada nova crise, algo diferente afeta nossa moeda. Na verdade, não importa muito se a culpa é da situação política que está tensa antes das eleições para presidente ou de algum outro fator interno. O fato é que, por mais estável que possa parecer, vira e mexe, nossa economia balança devido há algum fator alheio ao poder de nossas autoridades.

Todos sabem que a moeda brasileira já teve vários nomes diferentes, mudou de forma diversas vezes e sofreu incontáveis desvalorizações, enquanto o dólar, por exemplo, permanece há séculos como a moeda norte-americana, sendo hoje a mais forte do mundo. Muitos dos problemas que enfrentamos atualmente estão diretamente relacionados com nossa economia, que, apesar de tudo que atravessou durante toda a história do país, consegue apresentar uma certa estabilidade.

Essa história começou após o Descobrimento, quando a troca de mercadorias era muito comum em todo o mundo. Os índios, que não conheciam o dinheiro, trocavam o valioso pau-brasil por quinquilharias trazidas pelos portugueses. Pero Vaz de Caminha, o escrivão da frota de Cabral, fez o primeiro registro de troca no nosso país em sua carta ao rei de Portugal, D. Manuel: um barrete (espécie de chapéu) e uma carapuça do navegante por um colar e um cocar do indígena.

Desse ato simples até hoje, muita coisa aconteceu. Os portugueses começaram a plantar, explorar minas, criar gado e negociar. O comércio trouxe a necessidade do dinheiro. Inicialmente, eram moedas de ouro, prata e cobre, que vinham de Portugal. Aos poucos, elas passaram a ser cunhadas aqui mesmo, no Brasil.

Mais tarde, apareceram os bancos, onde todos podiam depositar suas moedas, recebendo em troca pequenos papéis com o valor correspondente - eram as primeiras cédulas. Por comodidade e segurança, as pessoas passaram a fazer circular essas cédulas, dando-as como pagamento. No século passado, muitos bancos emitiam cédulas garantidas pelas moedas que guardavam em seus cofres.

Com o tempo, a necessidade de dinheiro em circulação se tornou maior. As moedas metálicas passaram a ser usadas para troco e o uso do papel-moeda se popularizou por ser muito mais prático. Já pensou no problemão que seria se, toda vez que você precisasse de dinheiro, tivesse de usar moedas de metal? Pensando nisso, o governo cuidou de atribuir a emissão de dinheiro a um único órgão. Hoje, o responsável pelo dinheiro brasileiro é o Banco Central do Brasil, criado em 1965.

Leia o trecho da carta de Pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel, na qual o escrivão relata como foi realizada a primeira troca no Brasil.

"...E Nicolau Coelho lhes fez sinal que poupassem os arcos.

E eles os depuseram. Mas não pode deles haver fala nem entendimento que aproveitasse, por o mar quebrar na costa. Somente arremessou-lhe um barrete vermelho e uma carapuça de linho que levava na cabeça, e um sombreiro preto. E um deles lhe arremessou um sombreiro de penas de ave, compridas, com uma copazinha de penas vermelhas e pardas, como de papagaio. E outro lhe deu um ramal grande de continhas brancas, miúdas que querem parecer de aljôfar, as quais peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza.

Quinta-feira, 23 de abril de 1500."