|
Por Diogo Dreyer
Mais uma vez o Brasil passa por um período de incertezas
econômicas - além de o preço do dólar
estar disparando e o mercado de ações estar operando
em baixa, há um novo fator entrando em cena: o risco país,
índice que mede a confiança dos estrangeiros para
investir dinheiro aqui. Parece que, a cada nova crise, algo diferente
afeta nossa moeda. Na verdade, não importa muito se a culpa
é da situação política que está
tensa antes das eleições para presidente ou de algum
outro fator interno. O fato é que, por mais estável
que possa parecer, vira e mexe, nossa economia balança devido
há algum fator alheio ao poder de nossas autoridades.
Todos sabem que a moeda brasileira já teve vários
nomes diferentes, mudou de forma diversas vezes e sofreu incontáveis
desvalorizações, enquanto o dólar, por exemplo,
permanece há séculos como a moeda norte-americana,
sendo hoje a mais forte do mundo. Muitos dos problemas que enfrentamos
atualmente estão diretamente relacionados com nossa economia,
que, apesar de tudo que atravessou durante toda a história
do país, consegue apresentar uma certa estabilidade.
Essa história começou após o Descobrimento,
quando a troca de mercadorias era muito comum em todo o mundo. Os
índios, que não conheciam o dinheiro, trocavam o valioso
pau-brasil por quinquilharias trazidas pelos portugueses. Pero Vaz
de Caminha, o escrivão da frota de Cabral, fez o primeiro
registro de troca no nosso país em sua carta ao rei de Portugal,
D. Manuel: um barrete (espécie de chapéu) e uma carapuça
do navegante por um colar e um cocar do indígena.
Desse ato simples até hoje, muita coisa aconteceu. Os portugueses
começaram a plantar, explorar minas, criar gado e negociar.
O comércio trouxe a necessidade do dinheiro. Inicialmente,
eram moedas de ouro, prata e cobre, que vinham de Portugal. Aos
poucos, elas passaram a ser cunhadas aqui mesmo, no Brasil.
Mais tarde, apareceram os bancos, onde todos podiam depositar suas
moedas, recebendo em troca pequenos papéis com o valor correspondente
- eram as primeiras cédulas. Por comodidade e segurança,
as pessoas passaram a fazer circular essas cédulas, dando-as
como pagamento. No século passado, muitos bancos emitiam
cédulas garantidas pelas moedas que guardavam em seus cofres.
Com o tempo, a necessidade de dinheiro em circulação
se tornou maior. As moedas metálicas passaram a ser usadas
para troco e o uso do papel-moeda se popularizou por ser muito mais
prático. Já pensou no problemão que seria se,
toda vez que você precisasse de dinheiro, tivesse de usar
moedas de metal? Pensando nisso, o governo cuidou de atribuir a
emissão de dinheiro a um único órgão.
Hoje, o responsável pelo dinheiro brasileiro é o Banco
Central do Brasil, criado em 1965.
| Leia
o trecho da carta de Pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel, na
qual o escrivão relata como foi realizada a primeira
troca no Brasil.
"...E Nicolau Coelho lhes fez
sinal que poupassem os arcos.
E eles os depuseram. Mas não
pode deles haver fala nem entendimento que aproveitasse, por
o mar quebrar na costa. Somente arremessou-lhe um barrete
vermelho e uma carapuça de linho que levava na cabeça,
e um sombreiro preto. E um deles lhe arremessou um sombreiro
de penas de ave, compridas, com uma copazinha de penas vermelhas
e pardas, como de papagaio. E outro lhe deu um ramal grande
de continhas brancas, miúdas que querem parecer de
aljôfar, as quais peças creio que o Capitão
manda a Vossa Alteza.
Quinta-feira, 23 de abril de 1500."
|
|