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Malu Rogers
de Castilho: "o diferencial da JA é estimular os jovens a
serem empreendedores e não esperar que a pessoa se forme para descobrir
o que ela quer da vida." |
Criada nos EUA, em 1919, a Junior Achievement é a maior e mais antiga
organização de educação prática em economia
e negócios. Foi desenvolvida por dois grandes nomes do capital americano:
Horace Moses e Theodore Vail, presidentes da Strathmore Paper Company e da AT&T,
respectivamente. Fundação educativa sem fins lucrativos, ela é
mantida pela iniciativa privada e está envolvida na maioria dos projetos
bem-sucedidos que levam a cartilha do mundo dos negócios às escolas,
seja nas diversas instituições particulares, seja em iniciativas
como a da Prefeitura de São José dos Campos.
Com o sugestivo lema “A Vida é um Caminho, não um Destino,
e Você é o Arquiteto do seu Caminho”, o pessoal da JA procura
despertar o espírito empreendedor nos jovens ainda na escola, estimulando
o desenvolvimento pessoal, proporcionando uma visão do que é o
mundo dos negócios e facilitando o acesso ao mercado de trabalho.
Para isso, oferece programas de educação econômica, proporcionando
aos alunos envolvidos experiências no sistema da livre iniciativa. Isso
acontece por meio da parceria entre escolas e voluntários da classe empresarial
que dedicam parte de seu tempo ensinando e compartilhando suas experiências
com os estudantes.
Atualmente, 112 países aplicam os programas dessa organização,
atendendo aproximadamente 6,5 milhões de jovens por ano. No Brasil, a
JA atua em São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro,
Amazonas, Espírito Santo, Bahia, Goiás, Paraná, Pernambuco,
Minas Gerais, Piauí, Amapá e Roraima, onde mais de 500 mil jovens
participaram de seus programas.
Para explicar melhor como é a participação dos alunos
na JA, a diretora executiva da organização no Paraná, Malu
Rogers de Castilho, concedeu uma entrevista ao portal.
Na sua opinião, o Brasil ainda “engatinha” no que diz
respeito ao empreendedorismo?
Eu acredito que sim. Os EUA, por exemplo, onde a JA existe desde 1919, estão
bem à nossa frente. Mas estamos tentando mudar isso por meio do estímulo
ao voluntariado dos “cabeças” das empresas. Convidamos executivos,
empresários e profissionais liberais e eles é que vão para
a sala de aula estimular o empreendedorismo nos jovens. As próprias empresas
estão criando os empresários e executivos do futuro. O diferencial
da JA é este: estimular os jovens a serem empreendedores e não
esperar que a pessoa se forme para descobrir o que ela quer da vida.
Você acredita que o empreendedorismo é uma qualidade que pode
ser ensinada?
Acredito firmemente nisso. É claro que, numa sala de aula, nem todos
têm um perfil empreendedor, mas, se conseguirmos formar um Jorge Gerdau
por ano, por exemplo, a situação do país já vai
ser muito melhor. Pense na quantidade de empregos que se geram, impostos que
se arrecadam. Essas pessoas fazem com que a economia seja dinâmica, que
não pare. É preciso estimular as pessoas, descobrir seu potencial
e desenvolvê-lo.
Como as escolas fazem para participar?
Basta entrar em contato com a gente. Aqui no Paraná, por exemplo, no
início fomos nós que tivemos de ir atrás de escolas. Começamos
apenas em um colégio público e em um particular. Ninguém
conhecia o projeto aqui nem sabia do que se tratava. Hoje em dia, um grande
número de instituições nos procuram e precisam “entrar
numa fila”. Mas atendemos a todas as solicitações.
E como as empresas participam? Apenas como mantenedoras?
Elas podem participar como mantenedoras, apoiadoras, parceiras e também
como voluntárias, estimulando o voluntariado interno, de diversas formas.
Quando um executivo vai a uma sala explicar o que faz, está atuando com
responsabilidade social. E é isso que incentivamos nas empresas, independentemente
do papel que elas têm na JA.
Você acredita que as escolas podem tornar o empreendedorismo uma disciplina?
Acredito que todas as formas de estimular o empreendedorismo são válidas,
mas acho que não há necessidade de criar uma matéria chamada
“Empreendedorismo”. Veja a JA: somos uma organização
com 85 anos de experiência, que já funciona em 112 países.
Se oferecemos um serviço gratuito, tanto para a escola como para o aluno,
e que comprovadamente funciona, não há necessidade de entrar em
discussões pedagógicas para mudar os currículos, por exemplo.
A JA atende mais escolas públicas ou particulares?
Nosso objetivo é estar em todas as escolas onde atuamos. Aqui no Paraná,
por exemplo, começamos com mais escolas particulares do que públicas.
Mas, agora, o quadro se reverteu: pode parecer incrível, mas 60% das
escolas que atendemos são públicas.
A penetração desses projetos em escolas públicas e
privadas ocorre da mesma forma?
Sim, todos querem participar. Não há diferenciação.
Primeiro, porque não há custo e, segundo, porque o projeto é
muito bacana.
E como os professores reagem aos projetos?
No início, alguns “torciam o nariz”, pois achavam que eles
roubavam seu tempo ou que isso não deveria ser preocupação
da escola. Mas, agora, a maioria adora participar. E o retorno que recebemos
não vem apenas de professores ou diretores: muitos pais estão
envolvendo-se. E, como mostramos o mundo dos negócios na prática,
os alunos começam a ver o porquê de estarem fazendo todo esse esforço.
Percebemos que os jovens que participam dos projetos acabam até mesmo
levando os estudos com muito mais seriedade.
Quais são os programas oferecidos pela JA?
No Brasil, os programas começam na 5.ª série do Ensino Fundamental
e vão até o primeiro ano do Ensino Superior. Nos EUA, iniciam-se
desde o jardim-de-infância. Eles estimulam até o bebezinho a ser
empreendedor! Por aqui, cada série tem um tipo de programa diferenciado,
de acordo com a maturidade do aluno. Os programas que desenvolvemos são:
no Ensino Fundamental — Introdução ao Mundo dos Negócios,
Nosso Mundo, Economia Pessoal e Empresa em Ação; no Ensino Médio
— Mercado Global, Miniempresa, Globe, Bancos em Ação e Mese.
Temos ainda dois novos programas: Liderança Comunitária e Nossos
Recursos. (Para conhecer detalhadamente cada um deles, acesse o site da JA.)
Destaco como funciona o Miniempresa: durante 15 jornadas semanais, grupos de
25 alunos escolhem um produto a ser comercializado, vendem ações
para conseguir o capital necessário para o empreendimento, organizam
a administração, elegem um presidente e os diretores, compram
matéria-prima, produzem, vendem, pagam salários e comissões
e recolhem impostos. Ou seja, criam uma empresa de verdade!
Temos outro programa bem interessante, chamado Empresário-sombra: trata-se
de um dia em que os alunos que participaram do Miniempresa e que se destacaram
têm a oportunidade de passar com o presidente ou com o principal executivo
de uma organização. Eles acompanham toda a rotina de trabalho
desse profissional. O objetivo desse programa é mostrar ao jovem que,
se o empresário conseguiu, ele também pode conseguir. E também
que ele veja, na prática, como funciona a rotina de trabalho desse profissional.
No final do dia, a gente faz um coquetel num hotel, reúne todos os empresários
e os seus “sombras”, e acontece uma grande troca de experiências,
em que cada um conta como foi o seu dia.
E como é a recepção dos empresários que são
convidados para esse projeto?
No começo, eles pensavam: “Puxa, eles vão colocar um aluno
do meu lado?”. Imagine que, quando o empresário acorda e vai trabalhar,
o “sombra” já está lá, esperando. O aluno toma
café com ele; se ele tiver de levar a filha para o colégio, vai
junto; vai com ele para a academia; se ele tiver de viajar, viaja com ele; e
participa de reuniões. O jovem vive o que acontece na prática.
Mas, agora (já fazemos esse projeto com 32 executivos), eles gostam muito.
É a oportunidade ideal para mostrarem seu trabalho.
Uma grande preocupação de educadores é que as crianças
fiquem “soltas” no mundo dos negócios enquanto deveriam estar
realizando outras atividades. O que acontece quando os alunos terminam o projeto
Miniempresa?
Não privamos ninguém de sua infância. Quando o projeto termina,
os alunos participantes têm de fechar a empresa. Eles pagam os impostos
e dividem os lucros que tiveram entre os acionistas. Aliás, esses impostos
são destinados a uma entidade assistencial que eles escolhem. Depois
de tudo isso, são feitos a formatura, a premiação pela
rentabilidade da empresa, o faturamento, etc. Eles encerram todo o processo.
E isso costuma ser até mesmo um momento bem triste para eles.
Para saber mais sobre os programas do JA,
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