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O adolescente mais atuante


Nos anos 80, jovens vestiam camisetas com as inscrições "Diretas Já" ou "Quero votar para presidente". Nos anos 90, a tinta serviu para pintar o rosto de quem saía às ruas em protesto contra os escândalos da Era Collor.

Onde foi parar a galera? Os números não mentem: nas urnas é que não foi. Desde a primeira eleição direta após a ditadura, a participação dos jovens em pleitos eleitorais entrou em queda livre. (Ver gráfico.)

Em 1989, 4,03% dos eleitores eram menores de 18 anos. Nas últimas eleições, em 1998, essa faixa do eleitorado encolheu para o mísero índice de 1,76%. Alienação? Individualismo? Afinal, por que os adolescentes não têm exercido o direito de voto como em eleições anteriores?

Para nossos entrevistados, a resposta não é tão simples. A descrença nas instituições democráticas e nos partidos políticos tem afastado os jovens das urnas, mas não os conduziu à apatia, à falta de ação. Ao contrário, isso os tem feito pôr a mão na massa. Como prova desse amadurecimento, a crescente adesão de jovens a projetos sociais.

Os entrevistados acreditam que virá de ONGs e associações o oxigênio capaz de dar vida nova ao rio poluído da política brasileira e que trará de volta, como peixes, os jovens eleitores. É cedo para dizer se a previsão se concretizará, mas vale a pena acompanhar essa evolução. Uma novidade é alentadora: o número de jovens eleitores parou de murchar, depois de dez anos escorregando pelo tobogã. Em 2000, 2,86% do eleitorado ainda não fez 18 anos.



  Hermes Zanetti  
 


Hermes Zanetti Hermes Zanetti é diretor do Instituto Teotônio Vilela, um órgão de estudos políticos. Autor do livro Revolução ou Violência, ainda inédito, ele faz um raio X da participação política do brasileiro e afirma: "Não é verdade que o jovem é apático, indiferente, ausente. O que ele tem é um desencanto com os instrumentos institucionais e partidários que existem hoje. " Na entrevista a seguir, ele também relembra os embates para aprovação do projeto de lei, de sua autoria, que deu direito de voto a quem completar 16 anos.



 
  Renata Affonso  
 


Renata Affonso é jornalista da ONG Cemina - Comunicação, Educação e Informação em Gênero. Ela aposta no envolvimento de jovens na discussão de políticas públicas e na elaboração de projetos sociais. Do núcleo de juventude de sua ONG, criado por ela, saiu seu mais recente projeto, Presente do Futuro.

Quinze garotas entre 15 e 24 anos são escolhidas para ir ao Rio de Janeiro com tudo pago pelo BID. Elas sairão de lá capazes de utilizar o rádio com o fim de mobilizar as pessoas para participar de causas sociais. "Acho que precisamos descobrir outras formas de participação popular, mais diretas e menos pontuais [que o voto]", defende.

Graças à sua trajetória, Renata também foi selecionada. Só que para ir a Sydney soltar o verbo no Parlamento Mundial da Juventude, que será realizado entre 19 e 28 de outubro. Lá, 160 países estarão representados por 300 jovens do mundo todo que pensam como ela. "São jovens que querem pensar novas formas de sociedade, quebrar mesmo com esse modelo devastador que está aí."

Mas Renata não teve a mesma sorte que as 15 garotas. Sua ida está ameaçada por falta de financiamento. "É um absurdo não termos um órgão responsável por financiar esse tipo de participação", queixa-se. Na entrevista a seguir, ela fala de sua visão sobre a participação política dos jovens.