As eleições no país mais democrático do mundo

Os EUA têm o maior número de eleitores do mundo e o regime presidencialista mais antigo que existe, pois ele data de 1789, ano em que George Washington foi eleito. Além disso, foi o primeiro a adotar uma Constituição. Mesmo assim, as eleições por lá são bem complicadas. Mas devemos levar em consideração que o sistema americano provavelmente é o que melhor representa o desejo da maioria de votantes conscientes, já que a votação é distrital e facultativa e se apresenta tão díspar porque cada colégio eleitoral tem autonomia para regulamentar como será feito o pleito. No Brasil, por exemplo, não é nem possível fazer a recontagem dos votos com o sistema atual.

 

Entenda mais sobre o processo eleitoral americano:

Eleições primárias - os candidatos lançam as candidaturas dentro do partido. O partido político escolhe, em convenções estaduais, entre estes candidatos, aquele que vai disputar a Presidência. Historicamente, os partidos mais fortes são o democrata e o republicano.

Convenções nacionais - logo depois, necessariamente no verão (entre julho e setembro), têm início as grandes convenções partidárias. É nesse período que são nomeados oficialmente os candidatos escolhidos nas eleições primárias à Presidência. Cada partido vota ainda na sua plataforma de governo e escolhe também os candidatos para vice.

Eleições gerais - o dia da votação ocorre sempre na primeira terça-feira do mês de novembro em ano eleitoral. Ao contrário do Brasil, onde vence o candidato que tiver mais votos em todo o universo de eleitores, nos EUA, a eleição é indireta, decidida por um colégio eleitoral. Esse colégio é formado por 538 votos, e cada estado tem uma percentagem de acordo com seu tamanho. Nova Iorque, por exemplo, tem 33, Vermont, 3, e a Califórnia, 54. Esses votos são revertidos para o candidato escolhido no estado. Dessa forma, quem vencer em Nova Iorque já tem 33 dos 538 votos, vencendo quem obtiver a maioria do colégio eleitoral. Essa regra é diferente em cada estado. Os estados têm autonomia para determinar como é a divisão dos votos do colégio. A maioria adota a regra de que quem ganhar no estado leva todos os votos do colégio, mas há alguns estados que dividem o colégio proporcionalmente em relação aos votos obtidos pelos diferentes candidatos.

Voto do colegiado - o colegiado é formado por ativistas políticos e membros de partidos eleitos no processo anterior para elegerem o presidente. Normalmente, o presidente escolhido é o representante do partido mais votado nas eleições gerais, seguindo a opinião geral. Apenas quatro vezes na história dos Estados Unidos isso não ocorreu: em 1824, 1876, 1888 e 2000. Nessas datas, o candidato com mais votos não obteve a maioria no colegiado e não assumiu. Para ser eleito, o presidente precisa de pelo menos 270 votos.

Contagem dos votos - o colégio eleitoral não chega a se reunir. Os votos dos delegados são enviados ao Senado. Em sessão conjunta do Senado e da Câmara, o presidente do Senado conta os votos e divulga o resultado em 6 de janeiro.
Eleição na câmara - se nenhum dos candidatos obtiver os 270 votos necessários, o presidente é eleito pela Câmara dos Deputados. A bancada de cada estado se reúne e escolhe um dos três candidatos mais votados no colégio eleitoral. O vencedor é o candidato que ganhar a votação das bancadas de 26 estados.

Eleição no Senado - se nenhum dos candidatos obtiver os 270 votos necessários para vencer no colégio eleitoral, o vice-presidente é eleito pelo Senado. Concorrem os dois candidatos a vice-presidente mais votados no colégio. O ganhador é o candidato com 51 ou mais votos.

 

Entenda a confusão nas eleições de 2000:

Muita gente pensa que esse sistema é muito complicado e falho, principalmente se levarmos em conta a repercussão das últimas eleições que levaram o republicano George W. Bush ao poder. Outros argumentam que o sistema brasileiro é mais eficiente por apresentar o resultado das eleições no mesmo dia em que foram realizadas.

 

A "bagunça" eleitoral passo a passo

- A confusão começou logo após as eleições, no dia 07/11, quando a apuração total dos votos deu uma pequena vantagem ao democrata Al Gore - de cerca de 300 mil #votos -, mas não garantiu a nenhum dos candidatos a maioria no colégio eleitoral. O último estado a apurar seus votos foi a Flórida, responsável por desempatar a eleição.

- Naquele estado, os resultados apontaram a vantagem de 1.785 votos do republicano George W. Bush sobre Gore. A lei do Estado determina recontagem quando a diferença entre os candidatos é inferior a 0,5% dos votos válidos. A recontagem mecânica diminuiu a diferença para 327 votos. Além disso, uma polêmica surgiu em Palm Beach em torno do formato da cédula eleitoral, que poderia ter conduzido os eleitores ao erro. Os democratas pediram uma nova recontagem, dessa vez manual, e os republicanos entraram com uma ação contra o pedido.

- A secretária de Estado - republicana convicta - determinou no dia 16/11 que a recontagem não seria considerada. Mas a Suprema Corte da Flórida interviu, proibindo a secretária de divulgar o resultado. Começou, então, uma acirrada disputa entre republicanos e democratas em torno da recontagem manual. Bush apelou à Suprema Corte dos EUA, afirmando que a Suprema Corte da Flórida exorbitou seus poderes.

- No dia 20/11, a Suprema Corte da Flórida se reuniu para analisar a inclusão ou não dos votos da recontagem manual no resultado final das eleições. No dia 26/11, Bush foi declarado vencedor oficial da eleição presidencial na Flórida com 537 votos de vantagem. Gore entrou com um recurso contra o resultado e exigiu nova contagem manual em todo o estado.

- No dia 01/12, a Suprema Corte dos Estados Unidos se reuniu para julgar o recurso de Bush e, no dia 04/12, anulou a decisão da Suprema Corte da Flórida, que autorizou a continuação da recontagem manual de votos e pediu-lhe que explicasse os fundamentos da decisão.

- No dia 08/12, a Suprema Corte da Flórida voltou a se reunir e não apenas manteve a decisão como solicitou nova recontagem de aproximadamente 17 mil votos. No mesmo dia, a Suprema Corte dos EUA aceitou um recurso de Bush para paralisar a recontagem e anunciou que iria se reunir na segunda-feira.

- Na segunda-feira, a decisão da audiência não começou a ser analisada. Na quarta-feira, dia 13/12, a Suprema Corte dos EUA anulou as recontagens.

- No mesmo dia, Gore abriu mão de todos os recursos judiciais que estava acionando e desistiu da disputa, admitindo assim a vitória de George W. Bush.

- No dia 18 de dezembro, seguindo a lei eleitoral, o colégio eleitoral se reuniu e garantiu, como esperado, a maioria de 271 votos para Bush. O republicano tornou-se, oficialmente, o 43.º presidente dos Estados Unidos.

 

  ||> Início
||> No dia da eleição
||> Justiça Eleitoral
||> Calendário Eleitoral
||> Glossário
||> Perfil dos candidatos
||> Lula é eleito presidente
Lula e Serra continuam na corrida pela Presidência

A contagem dos votos confirmou o segundo turno entre os candidatos. Agora, recomeça a busca por alianças que garantam a vitória no dia 27 de outubro.

Jovem brasileiro prefere não votar

Pesquisa do Unicef revela que o número de adolescentes em idade eleitoral que irão votar diminuiu da última eleição para a atual.

Presidencialismo x Parlamentarismo
Entenda quais são as diferenças e os benefícios entre os principais modelos de governos no mundo.
Voto Proporcional x Voto Distrital
Qual modelo representa melhor o eleitorado? Por que tanta polêmica em torno dos dois sistemas?
As eleições nos EUA
O país mais democrático do mundo parece ter problemas para eleger seus presidentes. Mas será que essa "bagunça" não é saudável para a democracia?
Problemas Nacionais

Confira a série de Notícias Comentadas que preparamos para que você esteja por dentro das principais questões que o próximo governo terá que enfrentar.