|
Jovem brasileiro prefere não votar
Pesquisa do Unicef revela que o número de adolescentes em idade eleitoral
que irão votar diminuiu da última eleição para a atual.
Conheça os números que refletem o pensamento político dos
jovens brasileiros e a opinião de quem optou pelo voto e de quem preferiu
esperar.
Ao contrário do que muita gente imagina, a participação
dos jovens entre 16 e 17 anos que podem votar vai diminuir nessas eleições.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indica que, na eleição de
2000 — para prefeito e vereador —, 43% dos adolescentes com 16 e
17 anos tinham o título eleitoral. Mas a pesquisa A Voz dos Adolescentes,
do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), divulgada
em julho deste ano, aponta uma diminuição desses números:
apenas 38,6% dos entrevistados em idade eleitoral têm título.
A pesquisa ouviu 5.280 jovens em todo o Brasil, que apresenta, atualmente,
21.249.557 adolescentes. Eles equivalem a 12,5% do total da população
brasileira. Veja o que o jovem brasileiro acha da vida política segundo
a pesquisa do Unicef:
- 45% dos entrevistados consideram importantes os partidos políticos;
- para 36%, os partidos não têm a menor relevância;
- 14% declararam-se indiferentes.
Quanto aos que têm 16 e 17 anos (idade em que o voto é facultativo):
- 38,6% têm título de eleitor;
- 41,3% alegaram não participar das eleições de governantes
por acharem que ainda não têm idade;
- 21,9% disseram que têm idade, mas preferem não participar porque
não gostam de política;
- 20,1% dos entrevistados afirmaram que participam das eleições
votando;
- apenas 3,4% participam votando e fazendo campanha para o candidato de sua
preferência.
Outro fato curioso é a desproporção de adolescentes com
título nas diferentes regiões do país. O Nordeste, uma
das regiões mais carentes do Brasil, conta também com o menor
número de adolescentes com título, apenas 24,3%. Impressiona a
Região Sul, onde apenas 29,5% dos jovens vão votar. Já
o Centro-Oeste e o Sudeste se destacam e apresentam mais de 50% dos adolescentes
em idade eleitoral com interesse em exercer sua cidadania pelo voto.
Votar ou não votar
“Não me considero imaturo para votar e gosto muito de discutir
temas relacionados à política atual”, diz Guy P. Borges.
O estudante, que tem 17 anos e não fez título de eleitor, acredita
que o fato de não ser obrigado a votar influenciou a decisão.
“Na verdade, me arrependo muito de não ter tirado meu título.
Não o fiz devido a toda a burocracia de ter que ir ao cartório,
enfrentar longas filas, ter que providenciar toda a papelada, esperar a chegada
do título... foi apenas uma questão de comodidade ou até
de preguiça”, admite.
Já para o estudante Fábio Salgado, de 16 anos, o motivo que o
levou a providenciar o título foi o fato de achar que tem condições
de ajudar a decidir o futuro do país. “Acho que a participação
do jovem na vida política é importante, mas o mais importante
é que esse jovem tenha informação e, principalmente, bom
senso na hora de escolher os representantes”, afirma.
E completa: “Acho que a política tem atrativos para os jovens
porque, além de participar das decisões do país, podemos
também amadurecer tanto na área da política como na vida
pessoal”.

|