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A história do voto e a transformação da cédula


Por: Gabriela Brandalise e Adriana Sydor

A busca por eleições limpas, que conseguissem refletir a vontade da população, foi o que orientou as mudanças no processo eleitoral brasileiro. As transformações foram conquistadas aos poucos e pode-se dizer que iniciaram em 1889, quando o Brasil deixou de ser Império e passou a ser República.

Antes, o voto era por meio das cédulas e as fraudes eram incontáveis. Por anos, partidos e coroneis manipularam os resultados das eleições para que seus interesses fossem atendidos.

Uma manobra que ficou muito conhecida é o chamado voto de cabresto. Os mandachuvas de cada localidade decidiam antes das eleições quem iria vencer a disputa. Seja por violência ou por troca de favores, a população era obrigada a obedecê-los, votando nos candidatos que eles escolhessem.

Os líderes autoritários também davam um jeito de modificar ilegalmente os números de votos, se fosse preciso. A fraude mais comum era a adulteração das atas. A mesa eleitoral, que era responsável pela apuração dos votos, é quem mexia nesses resultados. O número de votantes era multiplicado para beneficiar determinado candidato. Para isso, eram incluídos votos de pessoas mortas, de ausentes e até de eleitores que não existiam.

A segurança da eleição só aumentou com a modernização. Em 1986, o registro dos eleitores foi informatizado e unificado nacionalmente pelo Tribunal Superior Eleitoral, o que eliminou a massa de eleitores com títulos falsos. As cédulas usadas em eleições majoritárias também mudaram: o nome dos candidatos aparecia com um quadrado ao lado. O eleitor indicava o escolhido com um xis, em vez de trazer a cédula já preenchida, como acontecia no início. Nas eleições para deputados e vereadores, havia um espaço para escrever o nome ou o número do candidato. Encerrada a votação, as urnas eram lacradas e enviadas para um local público, quase sempre ginásios esportivos, e ficavam lá até começar a apuração.

Mais um avanço veio em 1996: foi criada a urna eletrônica. Com ela, o papel, tão fácil de ser fraudado, foi eliminado do pleito e tudo passou a ser feito por meio do computador. Foi usada pela primeira vez naquele ano em 57 municípios por 32% do eleitorado brasileiro. Quatro anos mais tarde, foi estendida a todo o País. O número de votos brancos e nulos, que era grande até então por erros no preenchimento da cédula de papel, caiu consideravelmente.

Crédito: Agência Brasil

A urna eletrônica deixou a eleição mais segura no Brasil.

A urna eletrônica também trouxe agilidade para a apuração dos votos. A contagem das cédulas de papel levava dias para ser encerrada. Hoje, são necessárias apenas algumas horas. No mesmo dia em que os brasileiros participam do pleito, os eleitos já são conhecidos pela população.

Como o desenvolvimento tecnológico não para, um novo sistema de voto vem surgindo: a urna biométrica. Ela foi testada em 2008 por 45 mil eleitores e em 2010 por um milhão deles. Funciona assim: no dia da votação, após apresentar o título de eleitor, o cidadão usa sua digital para comprovar que, de fato, é a pessoa que diz ser, colocando o dedo em um leitor sobre a urna. A tecnologia reduz o risco de fraudes como, por exemplo, os casos de pessoas que votam por outras, usando títulos trocados. A leitura da impressão digital resolve o problema. A expectativa do TSE é que, para as eleições de 2018, todos os eleitores já tenham acesso à urna biométrica.

Crédito: Agência Brasil

O leitor identifica a digital do cidadão, reduzindo o risco de fraudes.



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