Faltam mulheres...

Em 2008, as candidaturas femininas não ultrapassaram 22% do total. Em sua tese de doutorado, Mary Ferreira constata que, nas últimas eleições, no estado do Maranhão, nenhum partido cumpriu a lei de cotas e nenhuma ação efetiva foi realizada para estimular a presença de mulheres nas listas partidárias. “As respostas dadas pelos dirigentes quando questionados sobre a pouca inserção feminina é: ‘as mulheres não querem se candidatar’ ”, ressalta Ferreira. “A mulher cada vez mais manifesta interesse, porém ainda não encontrou eco às questões que lhe atingem mais diretamente”, enfatiza.

Ainda de acordo com Mary Ferreira, o problema é muito mais grave. “As mulheres não se candidatam porque não são estimuladas, porque a sociedade as excluiu desse espaço de poder. Sua exclusão é fruto de uma realidade que delegou papéis sociais que as mantêm afastadas do poder em virtude das muitas responsabilidades que assumiram com a educação das crianças e o cuidado com a família. Além disso, a educação diferenciada que receberam as transformou em pessoas pouco afeitas às disputas e aos embates, muitas vezes truculentos, que se travam nos partidos”, ressalta Ferreira. Outra questão, talvez a mais difícil, é mudar a mentalidade da sociedade que ainda considera o espaço da política como um espaço masculino.
Esta não é somente uma realidade brasileira. Um relatório da Organização das Nações Unidas apontou que, se continuarmos no atual ritmo, a igualdade de participação política entre homens e mulheres só será concretizada em 100 anos. Os motivos são os mesmos apontados por Ferreira: questões socioeconômicas, culturais e até o tipo de sistema eleitoral.