Uma História de Futebol
é inspirado nas lembranças
de Zuza: ninguém sabe o
que é verdade ou mentirinha,
fruto da imaginação.





Dico e Zuza comemoram
a conquista da
Taça Júlio Ramalho






Seu Landão, o técnico do
Sete de Setembro,
é vivido pelo ator
José Rubens Chachá






Uma História de Futebol representará o Brasil no Oscar


Filme é uma ficção sobre as lembranças de um garoto que jogou no primeiro time de Pelé, o Sete de Setembro, de Bauru/SP.

Esse filme é um golaço. É sobre a infância de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Quem conta a história é ninguém menos que seu maior companheiro de pelada, Aziz Adib Naufal. Mas em Bauru/SP, no comecinho dos anos 50, ninguém os conhecia por esses nomes compridos. O rei, aos 10 anos, tinha outro apelido: Dico. O seu amigo chamava-se Zuza.

Os dois jogavam no mesmo time! Formavam a dupla de ataque do Sete de Setembro. Apaixonados por futebol, eles não se desgrudavam. Tanto que bastava o Dico assoviar que o Zuza já sabia que era pra vir jogar bola.

Eles tinham uma coleção de figurinhas dos craques da época. Uma das mais difíceis de achar era a do Leônidas da Silva, o inventor da bicicleta. E não é que eles tiveram sorte! Uma vez, o São Paulo, de Leônidas, foi jogar em Bauru contra o time da casa, o Noroeste.

Depois que viram o ídolo, não sossegaram enquanto não aprenderam a dar uma bicicleta igualzinha à do craque. Ficavam tentando até de noite, com ajuda do seu Landão, o treinador da equipe. Seu Landão era mecânico, mas já tinha vivido seus tempos de glória como jogador do Alvorada, de Pirassununga/SP.

No dia 30 de dezembro de 1950 aconteceu a partida mais emocionante da vida de Dico e Zuza. Era a final da Taça Júlio Ramalho e o adversário era a equipe arquiinimiga, o Barão do Noroeste. O jogo foi uma pedreira. Quando o juiz apitou o final do primeiro tempo, o Sete de Setembro estava perdendo de 2 x 0.

O seu Landão teve que dar uma sacudida no time. Mandou pegar firme, mas sem violência. Só que o Azeitona, o goleiro da equipe, perdeu a cabeça e saiu no tapa com outro garoto. Foi expulso. Dico foi parar no gol porque naquele tempo não havia substituição.

Mesmo com um a menos, o Sete de Setembro ganhou de virada, com gol de bicicleta e Dico fechando o gol e salvando a pátria. O jogo foi tão espetacular que parecia a final da Copa de 50, que os dois tinham acompanhado pelo radinho de pilha.

Depois daquele jogo, Zuza falou para o Dico que, desse jeito, eles ainda iam parar na seleção. Dico acabou se tornando o maior jogador de futebol de todos os tempos. Zuza teve uma história comum, como a de todo mundo.

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Uma História de Futebol (Brasil, 1998, 20 minutos) é do cineasta Paulo Machline. Tem roteiro de José Roberto Torero, Paulo Machline e Maurício Arruda. Já ganhou mais de 20 prêmios no Brasil e no exterior. O título no III Festival Internacional de Curtas de Nova York, em 1999, o credenciou para a disputa do Oscar de melhor curta deste ano.



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