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Democratizando o crime

Os perigos do mundo virtual não estão ligados apenas à alta tecnologia. Lembra daquela possibilidade de que alguém crie um blog para falar mal de você, sem se identificar? Não é preciso ser um expert para fazer isso. E já imaginou o estrago que faria na sua vida? Se você ainda não sabe, isso é crime, sim. Dependendo do que a pessoa disser, ela estará caluniando, injuriando ou difamando você.

• São comuns os casos de ofensas, discriminação e incitação à violência na Internet. Há milhões de sites e blogs pregando racismo, nazismo e outras bobagens perigosas.

Outra forma de crime que a Internet ajudou a democratizar é a engenharia social. O nome bonito (parece profissão) esconde uma atividade perversa que também já existia antes da rede, mas agora é mais fácil ainda realizar. Consiste em descobrir o máximo de informações sobre uma pessoa ou empresa e usá-las para o mal. Por exemplo: um criminoso faz uma pesquisa aprofundada sobre o diretor de uma grande organização e descobre tudo sobre ele: se é casado, tem filhos, onde mora, seu telefone, o trajeto que percorre todos os dias de casa para o trabalho e até mesmo o que gosta de fazer no fim de semana. Com base em tudo isso, esse bandido pode seqüestrar o empresário ou os filhos dele; ameaçá-lo, exigindo que ele revele informações confidenciais da empresa em que trabalha, caso contrário, algo ruim pode acontecer com sua família; entre outras coisas terríveis.

Foto: Fábio J. de Sousa / Positivo Informática
Engenheiros sociais usam a Internet para saber tudo sobre suas vítimas.

A Internet não é a única ferramenta dos engenheiros sociais, mas é definitivamente uma das mais eficientes. Ela oferece sites de busca, listas telefônicas on-line, comunidades virtuais (como o Orkut) e mapas de cidades inteiras.

“Parece filme de suspense. Duvido que isso um dia me afete”, você pode dizer. Será mesmo? Procure por seu nome em uma ferramenta de busca e veja o que acontece. Isso sem falar no Orkut, nos seus blogs e flogs, nos blogs dos seus amigos e nas pessoas que você não conhece, mas adiciona ao seu Messenger sem pensar duas vezes. Enfim, dependendo do quanto você se expõe na Internet, alguém pode usá-la para descobrir o suficiente para chegar até você e fazer algo de ruim. E você só vai saber quem é essa pessoa quando esse “algo de ruim” acontecer.

Pesquisar e “pesquisar”

Os engenheiros sociais são mestres assumidos em pesquisas para o mal. Mas nós mesmos, os chamados “cidadãos de bem”, podemos usar as buscas na Internet para cometer um crime: o plágio. Por mais inofensivo que pareça, copiar textos e fotos da Internet sem dar crédito é crime, sim. E, quando isso acontece na escola, pior ainda: é zero na certa. Está cada vez mais fácil descobrir quando um aluno copia um trabalho da Internet. Hoje, os professores contam até com programas de computador específicos para isso.


Foto: Divulgação
Márcia Tavares, da Polícia Civil do Paraná

Más influências

“70% das crianças que passam por aqui saíram de casa espontaneamente. E os pequeninos podem ser facilmente induzidos a fazer isso enquanto usam a Internet”, alerta a delegada Márcia Tavares, do Serviço de Informações de Crianças Desaparecidas da Polícia Civil do Paraná (Sicride). “Lembro de um caso em que a criança disse que alguém no bate-papo argumentava coisas do tipo ‘Seu pai não deixa você sair da escola nem brincar? Então, por que você não sai de casa?’ O mais preocupante é que, a cada ano, diminui a faixa etária de crianças que fazem isso. Hoje, a idade média é de 9 anos”, conta.

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