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Um dia inteiro, alguns segundos

Quanto tempo você levaria para chegar ao museu do Louvre, em Paris? Primeiro, responda e, depois, pergunte a seu avô. Ele vai procurar saber quantos quilômetros separam sua cidade da França, informar-se sobre aviões e táxis, fazer alguns cálculos e dizer que leva um dia inteiro (ou mais). O quê? Tudo isso? Você, que provavelmente já conhece o site do museu, vai responder que é só o tempo de ligar o computador e abrir o navegador de Internet: poucos segundos.

O educador Celso Antunes explica: “Até a globalização se desenvolver por completo, a idéia de espaço se definia de maneira muito clara: pelas fronteiras. Hoje, nosso espaço não é mais aquele que percorremos fisicamente. Ele é o espaço que é alcançado pelas mensagens e que permite que as mensagens nos alcancem”.

Pois é, o surgimento da Internet acabou bagunçando um pouco as noções de espaço, tempo e velocidade, assim como a fronteira entre os átomos (partículas que formam seu corpo, a parede da sua casa, enfim, quase todas as coisas) e os bits (unidades que compõem arquivos, sites e tudo o que existe no mundo virtual). “E no universo dos bits não há fronteiras. Quando você está conectado, é irrelevante onde se encontra fisicamente. Claro que existem certas limitações. Pode-se entender um firewall como uma ‘fronteira’, por exemplo. Mas a verdade é que, estando na rede, você não está mais no seu quarto. Você está no mundo inteiro”, completa Demi Getschko, conselheiro titular do Comitê Gestor da Internet no Brasil.

Enciclopédia Delta e Ricardo Azoury/Keydisc
A Internet bagunça a fronteira entre bits e átomos. Quando você se conecta, não importa onde está fisicamente.

Outra diferença que é possível perceber entre você e o seu avô: provavelmente, ele é um cara muito mais paciente. Afinal, ele é do tempo em que as pessoas levavam um dia inteiro para chegar ao Museu do Louvre. Já você está acostumado a dar a volta ao mundo em segundos. “A Internet reforça a tendência que temos de ser imediatistas. Já comemos, falamos e andamos rápido e, agora, temos acesso a informações e lugares de forma instantânea”, explica Malu Moura, do Conselho Federal de Psicologia.

Mais uma característica dos tempos “pontocom”: quando assistimos à TV, lemos jornal ou ouvimos rádio, estamos apenas recebendo informação. Na rede, podemos também produzir conteúdo e publicar para todo mundo ver. Leva alguns segundos pra criar um blog ou uma comunidade no Orkut contando “as últimas” da sua banda favorita. “Nós deixamos de ser apenas consumidores de informação. Podemos agora produzi-la e divulgá-la, e até mesmo sem nos identificarmos diretamente, o que permite aflorar idéias e emoções ainda mais íntimas”, explica Helena Vasconcelos, profissional de relações internacionais e gerente do projeto Sociedade da Informação, do Ministério da Ciência e Tecnologia. Hummm... Já que não é preciso se identificar, isso quer dizer que você também pode criar uma comunidade para falar mal de uma banda ou até mesmo de uma pessoa de que não gosta. Legal, mas espera aí: quem não gosta de você pode sair por aí clicando e falando mal de... você! E o que é pior: sem que você saiba quem essa pessoa é. Opa, essa conversa está ficando sinistra. E, como você vai ver daqui a pouco, esse é apenas “um” dos sustos que a Internet pode levar para dentro do seu quarto.

Alguns benefícios da Internet:

- Tudo fica muito mais rápido e próximo;

- Acesso a uma variedade imensa de informações, serviços e ferramentas em um único meio;

- Facilidade para encontrar dados detalhados sobre assuntos e pessoas específicas, principalmente em ferramentas de busca e comunidades virtuais;

- Abertura de novos canais de acesso a serviços que já conhecemos (banco, Correios, lista telefônica, comércio);

- Facilidade para publicar, enviar, divulgar e, ao mesmo tempo, “apagar” coisas;

- Envio de mensagens com texto, áudio e som para um número praticamente infinito de pessoas, rapidamente;

- Graças à popularização da banda larga, envio e “recebimento” de arquivos de grande volume com rapidez;

- Possibilidade de comunicação em tempo real com pessoas de qualquer parte do mundo, com baixo custo e muitos recursos (áudio, vídeo ou texto, ou todos ao mesmo tempo).

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