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Avião:a invenção brasileira
de todos os tempos


"Durante as compridas tardes ensolaradas do Brasil, deitado à sombra da varanda, eu me detinha horas e horas a contemplar o belo céu brasileiro e a admirar a facilidade com que as aves, com suas largas asas abertas, atingiam grandes alturas. E, ao ver as nuvens que flutuavam, sentia-me apaixonado pelo espaço livre".

Alberto Santos Dumont



Santos Dumont Santos-Dumont (1873-1932) deixa o Brasil aos 18 anos. Convicto de que o homem voaria como pássaro, parte em direção à França para estudar física e mecânica. O único caminho até a Europa é o mar, mas essa exclusividade está com os dias contados. O Pai da Aviação jamais completará qualquer curso superior, mas seus pioneiros experimentos com balões dirigíveis e aeronaves são prova cabal de seu gênio.

Em 1897, Santos-Dumont dá início a seus inventos aeronáuticos. Ele resolve acoplar motores a explosão em balões - um atrevimento para a época. O balão nº 6 é o primeiro de uma série de inventos extraordinários. Em 19 de outubro de 1901, o dirigível em forma de charuto contorna a Torre Eiffel e aterrissa em Saint-Cloud, de onde partira meia hora antes.

Ver vídeo do balão nº 6
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O vôo engorda sua conta bancária em 125 mil francos - valor do prêmio Deutsch de La Meurthe de dirigibilidade. É o dinheiro e o reconhecimento de que precisa para alçar vôos ainda mais espetaculares. O presidente Campos Salles envia-lhe uma medalha de ouro com a efígie do aviador e uma inscrição que parodia Camões: "Por céus nunca dantes navegados."

A cada exibição de seus inventos, Santos-Dumont fica mais conhecido em Paris, já acostumada a vê-lo na copa das árvores do parque Edmond de Rotschild ou pendurado no telhado do Trocadero, em alguns de seus vários acidentes ou aterrissagens forçadas que por um triz não lhe custam a vida.

A consagração definitiva, porém, só virá em 23 de outubro de 1906, quando enfim uma máquina mais pesada que o ar voa. Uma pane adia a demonstração para a tarde. Às 16h45, diante dos 14-Bis juízes do Aeroclube da França, o aviador fica mais perto do céu. Durante 20 segundos, o 14-Bis (foto) sobrevoa o campo de Bagatelle a uma altura de 2 a 3 metros.

O avião desprende-se do solo por apenas 60 metros e pousa suave sobre suas duas rodas de bicicleta. Santos Dumont acabara de realizar o sonho de Ícaro. Extasiada, feito quem viu milagre, a multidão corre em direção ao brasileiro arremessando lenços e chapéus ao alto para recebê-lo como herói. Assustado, o piloto perde o controle do 14-Bis, mas aterrissa sem qualquer avaria. "Não me mantive mais tempo no ar, não por culpa da máquina, mas exclusivamente minha. Perdi a direção", declara.

O 14-Bis tinha 10 metros de comprimento e 12 de envergadura. A aeronave possuía a forma de "T" e pesava apenas 210 quilos, incluindo o mirrado piloto, que mais parecia um jóquei. Santos-Dumont era um baixinho de metro e meio. Os lemes de direção ficavam na frente, ao contrário dos modelos atuais. As asas, na forma de diedro, ficavam na traseira. O avião logo ganhou o apelido de "Canard" (pato).

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Na interseção do "T", o motor a gasolina de 50 hp, menos da metade da potência de um carro. A hélice girava a 1500 rpm. A estrutura do avião era de bambu com juntas de alumínio; as asas e os lemes, de seda japonesa; os cabos de comando, de aço usado na fabricação de relógios de igreja. Para pôr à prova a estabilidade de seu avião, Santos Dumont o acoplou ao dirigível n° 14 - daí a razão do batismo como "14-Bis".

Demoiselle Entre 1907 e 1910, Santos-Dumont se dedica à construção do Demoiselle, ou "Libélula" (foto). Pequeno e frágil, é o primeiro monoplano do mundo, muito semelhante aos atuais ultraleves, cuja fuselagem era uma única haste de bambu. O aviador chega a comercializar 40 desses aviões, confiante que um dia todos teriam sua aeronave para ir ao trabalho e buscar os filhos na escola.

 



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