Os inventores vindos da África
Trazidos à força para o Brasil, os negros aqui chegavam com a roupa do corpo.
Quem embarcava em um navio negreiro sabia que a viagem seria longa. Para piorar,
só de ida e sem bagagem. Mas a condição de pessoas de segunda categoria, a ausência
quase completa de recursos, a ruptura com a terra natal, nada foi capaz de impedi-los de criar.
Escravizaram o corpo, mas não o pensamento. Na falta de objetos de suas culturas
de origem, os negros sequer puderam copiar o que já faziam. Foram obrigados a inventar
coisas completamente inéditas. A matéria-prima de seus inventos foram as crenças do
candomblé. No Brasil, os negros fizeram da culinária e da habilidade em esculpir a
prata as marcas de suas raízes africanas.
A herança dos negros na culinária é hoje o passaporte do Brasil no mundo da gastronomia.
A feijoada, o vatapá e outras delícias feitas das sobras do prato dos senhores eram
banquetes dedicados aos orixás.
Os balangandãs são outro elemento típico dos escravos no Brasil. Balangandãs é o conjunto
de penduricalhos de prata que as escravas usavam para prender a saia ou a canga. Além do
papel decorativo, eles tinham um significado: marcavam o tempo que a negra era escrava.
Registravam sua história.
Apesar de hábeis artesãos, os negros eram impedidos de trabalhar a prata, tida à época
como nobre demais para eles. A proibição visava garantir a primazia aos prateiros portugueses,
famosos pela técnica da "luz e sombra", que combina os tons mais claros e escuros do metal.
|
 |
 |
|