Início
     voltar outras reportagens     

As invenções são nossas, não o mérito

Você poderia imaginar o século XX sem máquinas de escrever nos escritórios e transmissores de ondas de rádio por toda a parte? Pois saiba que essas máquinas maravilhosas de nosso tempo e muitas outras saíram da cuca de brasileiros! "Pesquisando nos 10 mil inventos do Arquivo Nacional, a gente encontra uma quantidade enorme de inventos brasileiros, anteriores a inventos famosos, mas que não foram consagrados em sua época. Essas idéias depois foram roubadas e atribuídas a outras pessoas", afirma Suely Avellar, curadora da exposição 500 anos de Inventiva no Brasil.

foto 4 Um ancestral das máquinas de escrever que conhecemos foi o invento do padre paraibano Francisco João de Azevedo. Sua máquina (foto 1) recebeu a medalha de ouro na primeira Exposição Nacional de Inventos, em 1861. Com o formato de uma pianola, tinha 16 teclas que, quando digitadas, erguiam uma haste correspondente à letra. O papel, com largura de apenas três dedos, era pressionado em uma chapa metálica fixa e recebia a carimbada da ponta da haste.

A máquina de escrever do padre Azevedo veio antes da patenteada pelo inglês Henry Mill, de 1714, que permitia imprimir o papel com um sistema de alavancas, e depois da primeira Typewriter, produzida pelo fabricante de armas Remington, entre 1874 e 1878. A máquina de Mill também era uma espécie de piano e foi feita para que cegos pudessem pôr suas idéias no papel. foto 2

A primeira Remington, feita a partir do protótipo de Christopher Sholes, escrevia apenas em maiúsculas e tinha um pedal parecido com o de uma máquina de costura para retornar à margem esquerda do papel (foto 2). O primeiro modelo da Remington, que vendeu apenas 5 mil peças, já tinha o padrão QWERTY de teclado que persiste até hoje.

foto 3 Outro padre genial foi o gaúcho Roberto Landell de Moura (foto 3), precursor na transmissão de voz sem fio. Em 3 de junho de 1900, ele emitiu, com o seu Aparelho Transmissor de Ondas (foto de uma réplica), um sinal de voz do bairro de Santana para a Avenida Paulista, numa distância de 8 quilômetros. Assim, Landell superou a radiotelegrafia - transmissão sem fio de sinais de telégrafo em código Morse -, inventada em 1895, pelo italiano Guglielmo Marconi. Réplica do Aparelho Transmissor de Ondas

"O padre Landell foi considerado louco aqui, inclusive o seu laboratório foi incendiado. Ele não teve nenhum respaldo do governo brasileiro, até porque, nessa época, o interesse maior era trazer coisas de fora. No século XVIII, as patentes eram dadas por D. Pedro II e a primeira lei de patentes dizia que quem trouxesse invenções de fora receberia um prêmio", afirma Suely Avellar.

Ele bem que tentou proteger o seu invento. Ele seguiu para os EUA, em 1901, onde deu a entrada nos documentos no Patent Office, de Washington. Após muito sacrifício, ele obteve a patente nº 771.917 para o seu transmissor em outubro de 1904. Mas foi o transmissor apresentado por Marconi, em 1906, que se popularizou em todo mundo e a fama e o mérito de "inventor do rádio" ficou com a Itália.

 



leia mais  
ENTREVISTA

Suely Avelar,
curadora
da mostra
INVENÇÕES
BRASILEIRAS

Os descobridores
Os índios
Os negros
Brasil colônia
A virada
do século XX
A briga
por patentes
O brasileiro
voador



Copyright © 1999-2012. Portal Educacional. Todos os Direitos Reservados.

Termos de uso | Quem somos