Tudo limpinho
As lavouras de café enriquecem os fazendeiros. Eles vêm às cidades para escoar
a produção. Depois de receber a grana da venda dos grãos, aproveitam a viagem
para ir às compras. De formação européia e gosto refinado, esses senhores são
cada vez mais exigentes em seus sonhos de consumo.
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| Telha com cauda (1890), invenção de
Manuel Rodrigues da Fonseca |
A sofisticação começa em casa. A primeira coisa a ter seu fim decretado são as
casas de pau-a-pique e os tetos de taipa. No lugar destes, telhas de cauda (foto 1)
servem de calhas e eliminam o acúmulo de água suja do telhado, de onde antes
pingavam goteiras.
O hábito de casa vai à praça e a faxina ganha as ruas. Pela falta de um sistema
de esgoto, a sujeira das vias públicas é o tumor das cidades. Para extirpá-lo,
os inventores põem a cabeça para funcionar, bolando uma porção de "sistemas higiênicos".
Prova desse espírito saneador: os mictórios e latrinas públicas pagas.
Um desses sistemas, de 1890, é assim descrito por seus criadores, no registro da
patente: "Construção sólida, completamente higiênica, com paredes de granito,
janelas com venezianas e vidros opacos, esse mictório é dotado de lava-mãos,
ventilação constante e sistema de esgoto."
Não basta espalhar banheiros para conter as doenças que assolam as grandes cidades.
Assim, em 1899, Vital Brazil funda o Instituto Butantã, em São Paulo, e é o pioneiro
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| Ratoeira para camundongos (1889), invenção de
Christino Synphronio dos Reis |
nas pesquisas em medicina experimental. Destacam-se seus estudos da vacina contra a
febre amarela e seus esforços para evitar que a peste bubônica, que chega com os
navios, se alastre.
Outros vilões são os ratos. Eles fazem da sujeira o seu lar e da população a vítima
das epidemias que transmitem. Alguns inventos, então, põem em marcha uma engenhosa
caça aos roedores. Uma das ratoeiras criadas (foto 2) consiste em um barril cheio d'água
sobre o qual se põe uma caixinha com a isca. O rato se aproxima e, antes de abocanhar
a comida, cai em um alçapão e morre afogado. Sem fazer uso de veneno, a armadilha não
coloca em risco a saúde de pessoas e animais domésticos.
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