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Baleia jubarte, baleia corcunda, baleia cantora ou megáptera?

Megaptera novaeangliae (Borowski, 1781) A baleia jubarte é uma graça. Dócil, ela se diverte com saltos fora da água e acrobacias. Tanta leveza é coisa rara para quem mede até 16 metros e pesa 25 toneladas. Todo esse tamanho a torna fácil de se avistar e presa preferida dos caçadores. Nos anos 60, sobravam apenas 15 mil baleias jubarte e até hoje elas se encontram na lista de espécies ameaçadas do Ibama.

Como é mansa, dá para chegar pertinho e perceber que a nadadeira dorsal é pequena. Quando ela mergulha, o dorso se curva e mais parece uma corcova, daí o apelido corcunda. As nadadeiras peitorais são o contrário: descomunais. Elas atingem um terço do comprimento da jubarte. Por isso, tem gente que prefere a chamar de megáptera — asa gigante, em grego.

Mas a sua genuína impressão digital é a cauda. Os pigmentos brancos na parte inferior da nadadeira são diferentes em cada indivíduo. Assim, os especialistas podem desvendar as rotas de migração e analisar o comportamento dessas gigantes. Uma das descobertas é que as jubarte se alimentam e procriam sempre no mesmo lugar. Estima-se que entre 1,2 e 2 mil baleias venham ao litoral brasileiro atrás das águas calmas dos arquipélagos de Fernando de Noronha, Abrolhos e Trindade.

Em geral, as jubarte são vistas em grupos de até três baleias. São pares de fêmeas seguidas de perto por um macho, chamado escort. O macho é um tremendo conquistador. Ele solta a voz a 40 metros de profundidade. É um canto desesperado. Cada canção pode durar 20 minutos e a cantilena pode durar o dia inteiro. Tudo para atrair uma fêmea no cio.