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Nas artes


Antes de tornar-se poeta, Ferreira Gullar pensou em ser pintor. Ele costuma dizer que faz poesia, mas passa muito mais tempo lendo e pensando a Arte. Consagrou-se como teórico e crítico de Arte. Foi um dos principais idealizadores da Arte Neoconcreta (1959-1961), uma reação ao concretismo ortodoxo que defende a liberdade de experimentação e o resgate da subjetividade.

É um intelectual que participa ativamente de debates sobre a cultura e a Arte nacionais. Suas opiniões sobre a Arte Contemporânea brasileira costumam causar desconforto, como neste trecho da entrevista concedida para o site Dasartes: "Vinte ovos fritos cada um num prato expostos numa galeria. Eu não tenho nada a ver com isso, uma bobagem, algo que foi inventado gratuitamente. O cara não precisa saber pintar, desenhar, esculpir, nem pensar nada, só precisa ter uma boa ideia. Chamo isto de Caninha 51. Encontrei uma moça que estava indignada porque o museu estava mostrando uma obra que era cópia da dela. Eu perguntei qual era a obra e ela respondeu: ‘São séries de cordas com nós, fui eu que inventei’. Ah, você que inventou o nó na corda? Lá no Maranhão, os barqueiros usam muito sua técnica, não sabia que você tinha inventado. Realmente é piada, não é?".