Outra educação é possível
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Outra educação é possível
Fórum Mundial de Educação discute que valores são importantes no ensino atual.

“Na porta do Fórum Mundial, a água mineral custa só um real”, anunciava o vendedor com pretensões poéticas na entrada do Parque Anhembi, em São Paulo. Ele e dezenas de outros vendedores buscavam aliviar a crise por meio do subemprego, não por acaso amplamente discutido nos painéis e conferências do Fórum Mundial de Educação, cujas atenções que atraíam dos mais de 100 mil participantes (número anunciado pela organização) estavam evidentemente voltadas para a face social da educação.

O tema do fórum, “Educação Cidadã para uma Cidade Educadora”, acabou tendo como lema informal “Outra educação é possível”, repetido exaustivamente pelos debatedores, lembrando o “Outro mundo é possível”, do Fórum Social Mundial.

Na última sexta-feira (2/4/2004), primeiro dia dos debates, a grande estrela — pelo menos para os estudantes, professores e pedagogos presentes — era o professor Rubem Alves, que, junto com Moacir Gadotti, Danilo Streck e Carlos Rodrigues Brandão, participou da conferência “Paulo Freire: Educação Cidadã como Prática da Liberdade”.

Alves, com estilo cativante, levantou a platéia de nove mil pessoas no auditório Milton Santos (todos os auditórios tem o nome de algum educador brasileiro importante). “O educador não precisa se debruçar sobre livros, saber Piaget; precisa ser apaixonado pela vida”, sentenciou. Ele disse ainda que “sonhar é essencial; são os sonhos que constroem um povo”. Seguindo a mesma linha, Danilo Streck citou Cecília Meireles: “São os sonhos que libertam”.

O professor Moacir Gadotti preferiu destacar que a educação cidadã é um movimento que nasceu no Brasil, assim como a educação popular é a maior contribuição da América Latina para o ensino mundial.

Para o debatedor Carlos Rodrigues Brandão, mestre em Antropologia pela Universidade de Brasília (UnB), “não adianta estar na escola; é preciso ter ensino de qualidade”. Brandão fez a defesa de uma escola com espírito transformador: “Não aprendemos apenas para nos capacitarmos profissionalmente”.

 
Regras claras
 

“Educar, condicionar ou punir?” foi o tema do painel da tarde, que contou com a participação da professora Flávia Schiling, da Faculdade de Educação da USP, do vice-prefeito de São Paulo, Hélio Bicudo, e de Miriam Abramovay, pesquisadora que estuda a violência nas escolas.

Em relação ao contexto de cidade educadora, a professora Flávia afirmou que, involuntariamente, São Paulo educa sua população para não sair de casa e para ser indiferente. Ela também questionou a arquitetura das escolas: “Elas se relacionam com a cidade?”.

Miriam citou o exemplo das escolas públicas que ficam abertas nos fins de semana, onde não só os alunos, mas também a população pode participar de aulas e atividades físicas e esportivas. “É a valorização do espaço público, a queda dos muros psicológicos que deixam a escola isolada da comunidade. Fizemos pesquisas que mostram como o índice de depredação diminui, pois todos se sentem donos da escola”, relatou. A pesquisadora listou uma série de providências que podem reduzir a violência. “Tornar a escola interessante é fundamental, assim como o diálogo entre professores e alunos e regras claras de disciplina”.

Com a presença de Edmond Sullivan, do Canadá, e Agostinho dos Reis Monteiro, de Portugal, o painel “Educação Cidadã: inclusão e exclusão” tratou do ensino como parte dos direitos humanos básicos.

Diretor do Transformative Learning Centre, de Ontário, Canadá, Sullivan enfatizou a importância de criar em seus alunos a “consciência ecológica” e o cultivo de valores espirituais como resistência ao neoliberalismo globalizante. “Hoje em dia, existe um apego muito grande aos bens materiais”, disse.

Jones Rossi, enviado especial do portal ao FME.

 
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