| Divulgação |
 |
| Tintim é criação
do belga Hergé, e faz muito sucesso na Europa até hoje devido
às suas aventuras pelo mundo todo. |
Em Portugal, as HQs são conhecidas como histórias aos quadradinhos
ou bandas desenhadas. Nos EUA, são comics; na França, bandes dessinées.
Fumetti na Itália, tebeos na Espanha, funnies na Inglaterra, historietas
na Argentina, muñequitos em Cuba e mangás no Japão. Mas
como surgiu esse tipo de entretenimento, que já é até considerado
arte em alguns lugares do mundo?
As HQs têm sua origem no século XIX. Em 1820, na França,
vendiam-se as chamadas "canções de cego", tanto em edições
populares quanto com luxuosas iconografias. As Imagens de Epinal, contos
infantis com vinhetas e legendas, já tinham até heróis
de capa e espada, com o propósito de dar ao povo a chance de se transferir
para a vida romanceada de seus ídolos.
Em 1823, em Boston (EUA), um almanaque publicado por Charles Ellms trouxe,
pela primeira vez, entre passatempos e anedotas, algumas historietas engraçadas
— surgiu daí o termo comics, pois as primeiras tiras eram
sempre humorísticas. Em 1846, apareceu em Nova Iorque a primeira revista
exclusiva de historietas, intitulada Yankee Doodle. Enquanto isso, os europeus
liam os Rebus (historietas de conteúdo social) e os japoneses
contavam com as histórias da dinastia Meigi ilustradas em quadrinhos.
No Brasil, em 1865, Olavo Bilac traduziu Os Garotos Travessos, dos alemães
Max e Moritz, publicados aqui como Juca e Chico. O italiano radicado
no Brasil, Angelo Agostini, desenhou e publicou, no dia 30 de janeiro de 1869,
na revista Vida Fluminense, os quadrinhos As Aventuras de Nhô
Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte.
Em 1895, o francês Georges Colomb criou A Família Fenouillard,
que inovou trazendo balõezinhos contendo as falas dos personagens e a
ação fragmentada e seqüenciada, as tirinhas, iniciando uma
nova forma de expressão. Novos sinais gráficos apareceram nas
aventuras de Os Sobrinhos do Capitão, em 1897, criação
de Rudolph Dirks. Os desenhos eram, até então, divididos em quadros
acompanhados de legendas, dando continuidade às ações.
Quando Walt Disney lançou o Mickey Mouse, em 1928, os quadrinhos
já sofriam a influência direta do cinema, com cortes rápidos,
angulação variada e ação seriada dos episódios.
Mas eram tão importantes que não demorou muito para o ratinho
migrar do desenho animado para as revistas.
Em 1929, houve uma mudança significativa na produção das
HQs: personagens infantis e seus familiares, com traços cômicos,
começaram a concorrer com as histórias de aventuras de Tarzan,
o herói das selvas, e Buck Rogers, ficção científica
que retratava o século XXV. Novos heróis foram surgindo, como
Tintim, adolescente, escoteiro e repórter, acompanhado do seu cão
Milou, e Popeye, o marinheiro comedor de espinafre.
| Divulgação |
 |
| Capa da revista Detective Comics n.º
27, de 1939. A histórica primeira aparição do Batman. |
O sucesso das histórias de aventuras levou o jornal Chicago Tribune
a encomendar os quadrinhos do detetive Dick Tracy (1931) a Chester Gould,
o qual influenciou, com seus traços, os cineastas Alain Resnais e Jean-Luc
Godard. Por sua vez, o cinema expressionista alemão e os cineastas Alfred
Hitchcock e John Ford influenciaram os quadrinhos de Alex Raymond, que criou
o Flash Gordon em 1933; de Milton Caniff, que criou Terry e os Piratas em 1934;
e de Hal Foster, pai do Príncipe Valente, de 1937.
Mas a revolução aconteceu na revista Action Comics n.º
1, de 1938, quando os desenhistas Joe Shuster e Jerry Siegel lançaram
o Super-Homem para o mundo. Em maio de 1939, no rastro do sucesso do homem de
aço, a revista Detective Comics n.º 27 lançou o Batman.
Durante a Segunda Guerra Mundial, era fácil encontrar os super-heróis
lutando contra os nazistas e os japoneses. A onda nacionalista ajudou a criar
o Capitão América, o Capitão Marvel e até a Mulher-Maravilha.
Todos faziam parte das fileiras americanas contra o fascismo.
As décadas de 50 e 60 acabaram por consolidar a maioria dos heróis
mais populares até hoje — Homem-Aranha, X-Men, os 4 Fantásticos
e Hulk, por exemplo —, que, juntamente com seus criadores — como
Bob Kane (Batman) e Stan Lee (Homem-Aranha) —, tornaram-se verdadeiras
celebridades.
|