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Ajuda humanitária: possibilidades e dificuldades

Por Ederson Santos Lima
22/01/2010

Estimativas que vão desde cem mil até duzentas mil vítimas fizeram com que a própria ONU considerasse o terremoto do Haiti como a pior tragédia já enfrentada pela organização em toda a sua história. Colocar o país novamente nos trilhos não será tarefa fácil e muito menos barata. A ONU divulgou que serão necessários 560 milhões de dólares em doações para o trabalho humanitário.


Foto da Bandeira da Cruz Vermelha
Bandeira da Cruz Vermelha.
©Glow images/Dpi imagens

Remédios, comida, água, camas, colchões, roupas, barracas, material para resgate, máquinas para retirar os escombros das construções demolidas, enfim todo tipo de ajuda é necessário. Mas como chegar até a ilha caribenha se a estrutura do único aeroporto foi parcialmente destruída? Se poucas estradas são pavimentadas? Se gangues urbanas ( streets gangs ) voltaram com força após a missão brasileira no país as ter controlado?

O desastre do Haiti tem concentrado, acima das expectativas, esforços de todas as entidades possíveis: governos (dezenas de países), ONGs (como, por exemplo, Médicos Sem Fronteiras, Cruz Vermelha Internacional, Viva Rio, entre outras), bancos de fomento como o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), além de empresas particulares (como a GM) e também pessoas (como os atores Brad Pitt e Angelina Jolie e a modelo Gisele Bündchen) que, isoladamente, têm doado dinheiro de forma voluntária. No caso norte-americano, ocorreu a maior doação via celular da história: em poucas horas, 10 milhões de dólares foram arrecadados pela Cruz Vermelha através de um número especialmente criado para esse fim e para o qual os cidadãos enviavam torpedos com a palavra haiti.

Mas como organizar todo esse volume de dinheiro? Como distribuir remédios e comida? Como acomodar o interesse dos países e governos que estão se mobilizando na área, como Brasil e EUA?

A primeira pergunta seria facilmente respondida se o Haiti tivesse um governo regularmente estabelecido e em condições de gerenciar os recursos. Mas, infelizmente, essa não é a realidade. A sede do governo foi destruída pelo terremoto e há poucas pessoas capazes desse trabalho no staff governamental local. Além disso, os altíssimos índices de corrupção — que, segundo a Transparência Internacional, fazem com que o Haiti ocupe a 168º posição em um ranking entre países corruptos — geram certa intranquilidade entre possíveis doadores.

Alguns propõem que o dinheiro arrecadado seja administrado por uma comissão externa a todos os envolvidos na ajuda humanitária, outros defendem a ideia de que os haitianos e a Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti) gerenciem os recursos e, para outros ainda, Brasil, os EUA e o governo do Haiti devem somar esforços de forma conjunta no controle e gerenciamento dos recursos.

Essa situação, que à primeira vista poderia ser interpretada como de fácil resolução, não é. Um exemplo disso é o caso do aeroporto de Porto Príncipe, ocupado por tropas norte-americanas que passaram a controlar pousos e decolagens. Elas têm sido acusadas por vários países, como Brasil, França e Argentina, de estarem dificultando os pousos com ajuda humanitária desses países e priorizando o desembarque de soldados norte-americanos e a saída de cidadãos estadunidenses. Alguns aviões estão levando até quatro horas para conseguir pousar em solo haitiano. Pelo menos essa questão já foi resolvida parcialmente: os americanos ficaram com o controle interno do aeroporto, inclusive dos radares, e o Brasil com a responsabilidade pela área externa desse local.


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Créditos Foto do Topo: AFP Photos/Jewel Samad