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A Minustah e o papel do Brasil

Foto de Jogo de futebol entre Brasil e Haiti
Jogo da seleção brasileira que ocorreu em 2005 no Haiti.
AFP Photos/Vanderlei Almeida

Em 2004, com a renúncia de Jean-Bertrand Aristide, o Haiti novamente brecava seu já lento desenvolvimento e caminhava a passos largos para uma verdadeira anarquia política, econômica e social. Na busca de uma solução para os problemas do país, a ONU criou uma missão especial chamada Minustah — Missão de Paz das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti. Essa missão especial é liderada pelo exército brasileiro, com um mandato oficial que se prolongaria até 2011. Porém, o terremoto já desenha previsões para a permanência brasileira até 2015, segundo o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Até a ocorrência da tragédia natural, a missão brasileira era composta de 1266 militares, com previsão de aumento.

O objetivo da Minustah, que além de brasileiros conta com militares dos mais diferentes países, é manter a ordem e a segurança nas principais cidades do país. De acordo com os relatos militares e as ONGs lá presentes, a missão chefiada pelos brasileiros estava muito perto de atingir uma situação que podia ser denominada de “sob controle”. Um dos principais pontos atacados pelos brasileiros na Minustah foram as gangues urbanas que desestabilizaram o país alguns anos atrás e eram usadas politicamente para atacar adversários políticos. Muitas foram desmembradas e presas. Porém, o terremoto fez com que o maior presídio do país viesse a ruir e calcula-se que, aproximadamente, 4000 presos tenham escapado. Em virtude disso, notícias internacionais já relatam a volta da ação dos comandos e das gangues nos bairros da capital. A Minustah deve receber um grande reforço com a chegada de dez mil soldados norte-americanos, além de novos destacamentos brasileiros para tentar controlar a situação que, com o terremoto, ameaça novamente fugir ao controle das forças da ONU.

Apesar do sucesso da Minustah, seu futuro vai depender dos interesses norte-americanos que buscam aproveitar o momento para uma reaproximação com a América Latina e em especial com o próprio Haiti do qual havia se afastado desde a renúncia de Jean-Bertrand Aristide, em 2004.


Dicas

Assista também ao vídeo O dia em que o Brasil esteve aqui dos diretores Caíto Ortiz e João Dornelas, que registrou o dia em que a seleção pentacampeã do mundo disputou um amistoso com a seleção do Haiti.

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Créditos Foto do Topo: AFP Photos/Jewel Samad