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Chegando ao Brasil

Família de iImigrantes italianos desembarcando no Espírito Santo por volta de 1875.

Embora a crise econômica de toda a Itália tenha se intensificado durante o final do século XIX, ela não abalou da mesma forma as diversas regiões do país.

O norte foi a primeira área a ser atingida, pois foi ali que começou a ser desenvolvida a industrialização, que acabou deixando os agricultores (que complementavam sua renda com o trabalho artesanal) sem emprego e sem um mercado no qual pudessem vender seus produtos — que não podiam competir com os produzidos pelas fábricas locais ou com os importados.

Foi essa região da Itália que forneceu as primeiras grandes levas de imigrantes. O sul só viveu esse processo mais tarde, principalmente a partir do início do século XX. Atualmente, por ter sofrido antes o processo de industrialização, o norte da Itália apresenta uma economia bem mais desenvolvida que o sul, que permaneceu baseado no sistema agrário por muito mais tempo.

 

A ida para o sul

Em 1870, o governo imperial decidiu dar prosseguimento à colonização no sul do país motivado pelo êxito obtido com os imigrantes alemães, que ocuparam, 50 anos antes, a região de São Leopoldo (RS).

Para dar continuidade ao processo de “interiorização” da população do Rio Grande do Sul, nos anos de 1875 e 1876, o Governo-Geral reivindicou e promoveu o povoamento dos territórios de Conde D'Eu e Dona Isabel (atuais Garibaldi e Bento Gonçalves, respectivamente), fundando, em 1875, uma nova colônia, chamada de Fundos de Nova Palmira. Esse local foi rebatizado em 1877 com o nome Colônia Caxias e, mais tarde, tornou-se o centro da colonização italiana nesse estado. Ainda em 1877, dois anos após ter assumido os trabalhos de colonização, a União resolveu criar mais uma colônia para imigrantes italianos, utilizando as terras da mata próxima a Santa Maria; assim, surgiu a colônia Silveira Martins.

Embora tenham encontrado um Rio Grande do Sul já organizado economicamente, os italianos tiveram de enfrentar dificuldades semelhantes às vividas pelos alemães, como o desconhecimento do português e a falta de escolas. Até mesmo as áreas destinadas à ocupação pelos colonos italianos dificultavam muito a vida deles, pois eram mais altas e acidentadas que os outros locais, uma vez que a colonização alemã seguira pelos vales dos rios, deixando aos italianos apenas regiões de serras.

Da mesma forma que os alemães, os italianos tiveram de desbravar as terras que adquiriram, mas com lotes bem menores, medindo entre 15 e 35 hectares. Ali, eles plantaram produtos para sua subsistência — como o milho e o trigo — e, principalmente, a uva.

Antes de sua chegada, a produção vinícola do Rio Grande do Sul era considerada de qualidade inferior. Mas os primeiros colonos trouxeram novas variedades de uva, o que ajudou a melhorar o vinho gaúcho. A partir do início do século XX, começaram a ser formadas cooperativas vinícolas, e a produção foi crescendo e transformando o estado no principal produtor de vinhos finos do país.

 

Espírito Santo

A primeira viagem de imigrantes italianos aconteceu no dia 3 de janeiro de 1874. Eles vieram a bordo do navio a vela La Sofia, de bandeira francesa, que partiu do Porto de Gênova nessa data e chegou ao Brasil em fevereiro de 1874. Ao todo, 386 famílias desembarcaram aqui e encaminharam-se para as terras de Pietro Tabacchi, em Santa Cruz, no Espírito Santo.

Contudo, oficialmente, a imigração teve início no Brasil com a chegada do navio Rivadivia, que aportou em 31 de maio de 1875, com 150 famílias italianas, que se dirigiram para Santa Leopoldina, de onde seguiram para Timbuí e fundaram Santa Teresa (essas localidades também eram situadas no estado do Espírito Santo).

Os primeiros colonos que chegaram a esse estado passaram pelos mesmos problemas de adaptação que os que foram para o Rio Grande do Sul. Mesmo assim, um fenômeno interessante aconteceu: eles costumavam escrever às suas famílias e amigos contando sobre as vantagens que encontraram na nova terra (muitas vezes, até omitiam as dificuldades pelas quais passavam). Assim, atraíam novos imigrantes, originários das mesmas localidades da Itália e, às vezes, das mesmas famílias.

A predominância de pessoas provenientes de Vêneto fez com que os dialetos dessa região prevalecessem no idioma italiano falado em nosso país. E, da fusão dos diversos dialetos, acabou surgindo uma “língua geral”, chamada de vêneto.

Em 20 de julho de 1895, o governo da Itália proibiu terminantemente a emigração para o Espírito Santo. Essa medida foi tomada em conseqüência do relatório enviado pelo cônsul da Itália no estado, que apontava as dificuldades que o imigrante era obrigado a enfrentar: má alimentação, abuso da polícia, justiça incerta, insalubridade do clima, deficiência de serviços médicos e escolares, demora excessiva na medição dos lotes e divisão de terras, etc.

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