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  por Diogo Dreyer da Silva

Vindo para o Brasil em busca do sonho de uma vida melhor e de paz, os italianos construíram aqui grandes colônias, que os transformaram em um dos povos mais queridos e influentes da cultura brasileira.

Ilustração do italiano Giuseppe Bandi, publicada em 1889 mostrando Giuseppe Garibaldi carregando o corpo de sua mulher, Anita Garibaldi, morta por soldados papais, em 1849. Ambos são heróis tanto no Brasil quanto na Itália.

Personagens insólitos de novelas, macarronada aos domingos e até nome de time de futebol. A influência dos italianos marcou de forma definitiva o Brasil desde que esses imigrantes começaram a vir para cá no século XIX. Até mesmo personagens revolucionários, como Giuseppe Garibaldi, vieram para o nosso país e ajudaram a construir a história brasileira.

O resultado da vinda dos italianos para o Brasil pode ser sentido até hoje em redutos centenários; em alguns bairros, como o famoso Bixiga, em São Paulo; e em cidades inteiras, como Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Colônias como essas abrigam desde as tradicionais cantinas, com pratos que já se misturaram à culinária do país (quem pode dizer que a pizza não é brasileira?), até torcedores de times genuinamente italianos, como o Palmeiras — que originalmente se chamava Palestra Itália, mas foi forçado a mudar de nome durante a Segunda Guerra Mundial.

Toda essa história teve início no século XIX, quando ocorreram grandes modificações políticas e econômicas na Europa. Terminadas as guerras napoleônicas, o Congresso de Viena (1814/1815) estabeleceu arbitrariamente novos estados, formas de governo e alianças, sem levar em conta a opinião dos povos a eles submetidos.

Assim, a Itália viu-se dividida em sete estados soberanos e, como conseqüência, houve o surgimento do ideal de unificação, a qual foi obtida apenas em 1870, graças a Vitor Emanuel II, ao primeiro-ministro Cavour e ao herói da Revolução Farroupilha, Giuseppe Garibaldi.

Terminada a luta, o sonho de paz e prosperidade foi substituído por uma dura realidade: batalhões de desempregados e de camponeses sem terras, que não tinham como sustentar sua família.

E a Revolução Industrial na Europa acabou piorando essa situação, já que o advento das máquinas provocou a substituição do trabalho humano e com muito mais lucro e perfeição. Diante desse quadro, a solução encontrada por esses trabalhadores foi sair de seu país em busca de novas terras, inexploradas e ricas. “Basicamente, todos os povos que imigraram do final do século XIX até metade do século XX fizeram isso porque as condições socioeconômicas em seu país de origem eram precárias”, conta Luciana Facchinetti, mestre em História Social.

 

Norte versus Sul

Embora a crise econômica de toda a Itália tenha se intensificado durante o final do século XIX, ela não abalou da mesma forma as diversas regiões do país.

O norte foi a primeira área a ser atingida, pois foi ali que começou a ser desenvolvida a industrialização, que acabou deixando os agricultores (que complementavam sua renda com o trabalho artesanal) sem emprego e sem um mercado no qual pudessem vender seus produtos — que não podiam competir com os produzidos pelas fábricas locais ou com os importados.

Foi essa região da Itália que forneceu as primeiras grandes levas de imigrantes. O sul só viveu esse processo mais tarde, principalmente a partir do início do século XX. Atualmente, por ter sofrido antes o processo de industrialização, o norte da Itália apresenta uma economia bem mais desenvolvida que o sul, que permaneceu baseado no sistema agrário por muito mais tempo.

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