Brasil e Japão na atualidade

No final dos anos 50 do século XX, aproximadamente 200 mil descendentes de japoneses viviam no Brasil. Hoje, há mais de 1,5 milhão. Trata-se de pelo menos sete gerações de nipônicos em nosso território. É nada mais do que a maior concentração de japoneses (na verdade, descendentes de japoneses) vivendo fora do Japão. A maior parte deles está em São Paulo e no Paraná, mas há também comunidades no Pará e no Amazonas, envolvidas, principalmente, com a produção de pimenta. No Sudeste e no Sul, a cultura japonesa é mais que popular. A começar pelos mangás e animês, comuns no dia-a-dia da galera. Para quem não sabe, mangás são quadrinhos japoneses, e animês, desenhos animados. A música pop japonesa também já começa a conquistar vários fãs brasileiros. A influência prossegue na moda (as brasileiras adoram as “harajukus”, meninas japonesas conhecidas pelo alto índice de consumo e pela forma extravagante de se vestir) e na diversão (videogames, jogos de cartas). Isso, sem falar na culinária.

Do outro lado do globo, o Japão, por sua vez, abriga a terceira maior concentração de brasileiros fora do Brasil. Lá, principalmente nos grandes centros, é comum verem-se estabelecimentos comerciais brasileiros, como discotecas e churrascarias. Isso por conta dos dekasseguis, brasileiros descendentes de japoneses que vão à terra natal, normalmente para trabalhar incansavelmente e juntar dinheiro. Opa, eu falei “terra natal”? Mas a terra natal deles é o Brasil, não é mesmo?! Bem, atualmente, uma das principais questões que envolvem os brasileiros descendentes de japoneses é justamente a crise de identidade em que vivem. Conforme conta a professora Kátia, do Colégio Lantagi, em Registro (SP), lá, eles são vistos como estrangeiros. Aqui, normalmente são identificados mais como descendentes de japoneses do que brasileiros. “E lá no Japão, essa discriminação ocorre de um jeito muito forte”, conta ela. “Eu e meu marido vivemos lá durante oito anos. Ele, por não ter um sobrenome japonês, tinha muitas dificuldades na empresa, fazia um trabalho bem pesado, enquanto eu não. E mesmo eu sofria preconceito. No começo, quando percebiam que eu não falava bem o idioma, imediatamente sentia uma diferença no tratamento”, completa. Mas esse é um sentimento mais comum entre os mais velhos. “A juventude japonesa adora os brasileiros. Nesse ponto, não tivemos dificuldade em fazer amigos, estivemos sempre bem acompanhados.”

E o contrário? Será que os nisseis estão hoje bem integrados à sociedade brasileira? Vale lembrar que, durante a Segunda Guerra Mundial, Brasil e Japão estavam em lados diferentes. No período ditatorial do governo de Getúlio Vargas, os “japoneses-brasileiros” chegaram a ser perseguidos no Brasil e sofriam grande preconceito da sociedade. Hoje, isso não acontece mais. Há, no entanto, famílias mais tradicionais japonesas que evitam a miscigenação, como forma de preservar os costumes e traços étnicos. “Percebo isso de maneira forte em algumas famílias”, comenta Soraia, também professora do Colégio Lantagi.

Independentemente de conflitos anteriores, ou mesmo de seus atuais resquícios, Japão e Brasil seguem um caminho pacífico, de aprendizado e admiração mútua. Prova disso é a intensificação das relações comerciais entre os dois países, que após um declínio nos anos 80 e 90, voltaram a crescer, impulsionadas pelo interesse dos japoneses em biocombustíveis, e dos brasileiros em tecnologia (por exemplo, a televisão digital e o trem-bala).

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