1. Central de Atualidades
  2. Reportagens
  3. Lençóis Maranhenses

leia mais
• Introdução
• Um "deserto" com muita água
• Sazonalidade, migração e alguns milagres da natureza
• Ecoturismo
• Aventura light
Veja as fotos
Sugestões para o professor
Visite o projeto
outras reportagens
• A transformação da água em Salvador
• Maceió: um lugar onde a água é um presente da natureza
• Recife: uma Veneza tropical
• Fórum de Secretários de Recursos Hídricos do Nordeste
• Ouro verde, ouro azul e um agravante chamado seca
• Natal: um tesouro ameaçado
• Vida e morte no coração da Amazônia

 
Sazonalidade, migração e alguns milagres da natureza

Como foi destacado no boxe anterior, a água que serve para beber, lavar, cozinhar e até irrigar pequenas plantações (cultura de subsistência) está sempre à disposição dos moradores, a pouco mais de um metro de profundidade. Já com as lagoas, a situação é bem diferente. E aí fica uma dúvida: se as lagoas secam, como ficam repletas de peixes quando voltam a aflorar?

A resposta é simples — ou melhor, as respostas. O folclore, as crendices locais e as histórias dos pescadores dizem que, quando a água volta a cair do céu em forma de chuva — e olha que chove muito na região —, os peixes aproveitam os arco-íris que se formam para migrar dos lagos permanentes e do mar para as lagoas sazonais.

Embora menos romântica, a explicação científica é mais fácil de aceitar. “Como o lençol freático está muito próximo da superfície, quando os lagos secam, a areia continua úmida e é capaz de manter milhares de larvas de peixes em uma espécie de hibernação até que a cheia do lençol faça com que as lagoas surjam novamente. Quando isso acontece, as larvas eclodem e a vida volta ao lago”, diz Antonio Carlos Leal.

Nessa entressafra de peixes provocada pela seca, os pescadores se vêem obrigados a trocar as lagoas, que às vezes ficam a poucos passos de suas casas, pela pesca na região marítima do parque. Por isso, ao caminhar pelas praias da região, não é raro encontrar acampamentos contendo entre seis e dez barracas de palha como a desta foto.

“As pessoas vêm para cá, pescam por cinco ou seis dias e depois vendem o peixe e vão para casa para levar o ‘mercado’ para a família”, diz Arnaldo, nosso pequeno guia.

“A vida aqui é boa. O que se pesca em Atins, vende-se em Barreirinha. Depois, é só subir o rio de novo e ir para casa ficar um pouco com a família”, diz Antonio Nascimento, 37 anos e pescador há 22. Além do mar, os pescadores podem contar ainda com os Rios Grande e Negro, que cortam o Parque dos Lençóis, e com o Rio Preguiça, localizado na área de amortecimento.

Para minimizar o problema, alguns pescadores da região começam a construir pequenos criadouros e, assim, tentam evitar a migração na época da seca.

anterior | próximo