Máquina de livros

O vai e vem de pessoas nas estações do metrô de São Paulo também inspirou o empresário curitibano Fábio Lopes Bueno Netto a investir em livros. Empreendedor interessado em vender boas obras a um preço baixo, ele teve a ideia de comercializar as publicações nas máquinas que normalmente vendem refrigerantes e guloseimas. “Eu estava em São Paulo e vi a tal máquina que vendia café, refrigerantes e salgadinhos... E por que não livros? Foram dois anos e meio de planejamento, pesquisa, viagens para procurar o modelo de equipamento correto, desenvolvimento e negociações para fazer funcionar a primeira máquina de vendas de livros”, conta.

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Crédito: Divulgação
Legenda: Passageiros escolhem o livro em máquina instalada em estação do metrô

A primeira delas foi instalada na estação de metrô São Joaquim, no centro de São Paulo. Hoje já são 24 equipamentos em todo o Brasil. Uma das principais vantagens para o leitor é o custo. É possível encontrar nas máquinas clássicos da literatura brasileira entre 2 e 5 reais. “O segredo é o volume de compras. “Adquirimos muitos livros de um mesmo título, assim fica muito mais barato”. Por mês são vendidos, por meio das máquinas, de 10 a 20 mil livros.

Grandes autores como Friedrich Nietzsche, Nicolau Maquiavel, Platão, Diderot e SunTzu estão na lista dos mais vendidos, assim como livros de oratória e manuais de informática. Existem também máquinas temáticas que oferecem obras obrigatórias para o vestibular.

“Grande parte da nossa clientela nunca havia entrado em uma livraria, seja porque não sabia por onde começar, seja porque se sentia inibida nesse ambiente ou por falta de dinheiro”. Hoje ele assiste a uma mudança de comportamento de seu público. “O primeiro livro é comprado por impulso. A seleção de títulos facilita a próxima compra, caso o cidadão goste da primeira obra. Ele adquire então o terceiro livro e o quarto. De repente, quando menos percebe, passa a entrar em livrarias de cabeça erguida”, conta.

A máquina de livros também gerou um envolvimento da comunidade e de professores. “Muitos indicam os livros que podem ser adquiridos a preços menores.” Da experiência, o empresário já tirou uma lição. “Tenho certeza absoluta que o povo brasileiro gosta de ler e é muito crítico. Basta dar acesso”, conclui.

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