Livros que se cruzam

Não é só nas bibliotecas e nas máquinas de livros que os passageiros do transporte público podem encontrar livros. Um simples banco de espera ou balcão pode ser um lugar de ofertas. Aparentemente esquecidas, essas obras são deixadas em qualquer lugar de propósito e fazem parte de um movimento que vem crescendo vertiginosamente: o bookcrossing.

Funciona assim: o livro é deixado em algum lugar público para que alguém o encontre. Esse leitor deve fazer o registro do achado no site oficial do movimento (www.bookcrossing.com.br), ler e depois passar a obra adiante. “O tema do movimento é leia, registre e liberte”, enfatiza a coordenadora Helena Castello Branco.

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Crédito: Divulgação
Legenda: Helena Castello Branco: coordenadora do bookcrossing

Ela conta que há etiquetas que são colocadas na capa e contracapa dos livros, além de marcadores, explicando o que é essa corrente. “Dentro do livro vai um número de identificação (BCID), para que o leitor identifique-se pela Internet, deixe um comentário sobre o livro e avise o destino da obra”, explica.

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Crédito: Divulgação
Legenda: Etiquetas são colocadas nos livros para sinalizar que eles fazem parte do movimento

Na capital paulista, existem três pontos fixos de trocas de livros: a biblioteca Mario de Andrade, a Casa das Rosas e a Central das Artes. Mas é nas praças e terminais de transporte público que a maioria das obras circula livremente. “É comum usar o metrô para ler, pois geralmente as pessoas estão desocupadas durante a viagem. E assim o livro viaja com elas”, complementa Helena.

A professora de inglês Eunira Galioni compartilha livros desde 2004. “O bookcrossing oferece uma oportunidade única de unir leitura com aventura”, conta, entusiasmada. “Além do incentivo, ensina desprendimento e generosidade”. Depois que entrou para o movimento, já recomendou a experiência a, pelo menos, outros 20 leitores.

O movimento nasceu nos Estados Unidos, mas já se espalhou para 130 países. No Brasil existem 6 mil participantes, sendo 2.500 adeptos só em São Paulo. “Há muitas histórias curiosas de livros que aparecem depois de muitos anos, livros que viajam para outro estado ou país e de pessoas que passaram a ler mais por causa do movimento”, conta Helena.

Com tanta participação, o projeto deve ser ampliado em breve, com a criação de outros pontos fixos de troca de livros. “Apesar de os brasileiros lerem pouco, o projeto sempre teve uma grande aceitação. Além dos leitores, empresas e ONGs estão se engajando”, diz Helena. Oportunidades para quem já tomou o gosto pela leitura e para quem ainda vai chegar lá.

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