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  3. Maceió. Um lugar onde a água é um presente da natureza
  por Walter Garcia

Não chega a ser uma ilha, mas, cercada de água por todos os lados, até mesmo no subsolo, Maceió tem a sorte de ainda poder contar com a água com potabilidade de água mineral que sai das torneiras das casas.

Quando a contaminação do lençol freático ainda é pequena, a oferta de água é farta, o tratamento básico é feito e não existem riscos de contaminação viral e bacteriológica, aumentam os níveis de exigência quanto à qualidade da água e é possível pensar em detalhes ainda distantes para outras regiões do país.

“A qualidade da água em Maceió ainda deixa muito a desejar. Apesar de não existir contaminação por coliformes fecais, há pontos em que o índice de ferro é elevado, provocando manchas em roupas e até nos vasos sanitários. Em outros, a presença do sal (água salobra) deixa gosto na água. Essas são situações que temos de melhorar para poder dizer que a população está sendo bem atendida”, diz o engenheiro químico Antonio Capistrano Neto, 51, responsável pela coleta, tratamento e qualidade da água distribuída em Maceió, capital do estado de Alagoas.

Segundo Capistrano, as análises bacteriológicas e químicas, feitas diariamente na água que é distribuída para a capital e interior do estado, mostram que a população vem recebendo, nas torneiras de sua casa, um líquido de qualidade bem superior ao de outras capitais por onde passamos.

Quando as análises denunciam a presença de nitrato — “o que é raro”, garante o engenheiro —, os níveis nunca passam de três partes por milhão (3 PPM), ou seja, são bem inferiores aos verificados em Natal, por exemplo. Na região do Tabuleiro, parte alta da cidade, “as características da água são de água mineral”, diz Antonio Capistrano. Por outro lado, próximo à orla marítima, na parte baixa, a água do aqüífero já está bem salobra devido à invasão do mar. “Já fechei poços com concentrações de 1.300 PPM, quando o aceitável pelo Ministério da Saúde é de no máximo 250”, destaca. Esse é um problema que o engenheiro deseja ver resolvido em muito pouco tempo.

No que se refere à água, sem dúvida, Alagoas é um estado privilegiado. Como se não bastasse ser cortado pelo Rio São Francisco e possuir inúmeras lagoas (apenas entre o São Francisco e Maceió, existem 30), o estado e sua capital ainda contam com um lençol freático riquíssimo, de fácil acesso e que ainda não está contaminado.

Atualmente, a água distribuída pela Companhia de Saneamento do Estado de Alagoas — Casal — chega a 70% das residências da capital. Os mais de 200 poços artesianos existentes na cidade são responsáveis por 73% do abastecimento. Os outros 27% são provenientes de água de superfície do Sistema Catolé. A previsão é de que, no máximo em dois meses, com o funcionamento da Estação de Tratamento de Pratagy, a quantidade de água de superfície tratada dobre. “Com a inauguração dessa estação, vou conseguir fechar todos os poços que hoje apresentam água salobra e contaminação por ferro e atender melhor a população”, diz Antonio Capistrano.

Mas, se a oferta abundante de água faz com que a população seja bem abastecida, também provoca alguns inconvenientes. Em algumas regiões, é comum a utilização de poços artesianos — a forma encontrada por grandes condomínios, hotéis e até mesmo residências para reduzir a conta de água no fim do mês. Uma realidade que atinge principalmente hotéis da orla marítima, destinados ao recebimento de turistas. “Isso nos obriga a realizar coletas esporádicas para a análise de água nesses hotéis. Alguns apresentam água salobra ou “dura”, mas, até agora, não encontramos nenhuma contaminação por coliformes fecais”, diz Jerônimo Malta Guedes, 44, responsável pelo laboratório da Casal.

Atualmente, um dos maiores desafios enfrentados pela empresa é a falta de consciência de alguns usuários. “No passado, tínhamos pequenas torneiras instaladas em nossos poços para que pudéssemos fazer coletas e, assim, monitorar a qualidade da água em cada um deles. Só que as pessoas começaram a abri-las e deixá-las abertas, às vezes, durante dias; outras simplesmente arrancavam as torneiras, e perdíamos milhares de litros de água por causa de vandalismo”, diz o engenheiro químico.

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