1. Central de Atualidades
  2. Reportagens
  3. Maioridade penal


| Por que a sociedade quer reduzir a maioridade penal?
| Reflexo da violência?
| O Estatuto da Criança e do Adolescente sob fogo
| Os mitos da violência adolescente
| As contribuições da mídia
| Emenda sobre maioridade está estacionada
| Prisão x educação
| "Na real"
| Como funciona a lei hoje?
| E essas medidas funcionam?

As contribuições da mídia

Volpi conta que a Unicef e a Agência de Notícias sobre os Direitos da Infância — ANDI — realizaram, em 2000, uma análise da cobertura da mídia durante os dez anos do ECA. "Analisamos cerca de 7 mil reportagens que foram publicadas nos 50 principais jornais do país. Notamos que houve um crescimento da cobertura do tema da criança e do adolescente em diversas áreas, com grandes melhoras em assuntos como mortalidade infantil, políticas públicas, atendimento à gestante, qualidade alimentar, etc. Mas a cobertura melhorou principalmente quanto à educação, pois houve uma ampliação no número de notícias. Existem jornalistas que se especializaram nesse assunto, criando inúmeras colunas e até editoriais de educação", diz o oficial.

Volpi conta que o único tema cuja cobertura jornalística piorou foi o da prática dos atos delituosos praticados por adolescentes. "A imprensa insiste em utilizar uma única fonte para essa cobertura, que são os boletins policiais. Qualquer jornalista sério sabe que essa não é uma fonte fidedigna, uma vez que são construídas com base nos interesses do policial de plantão e das Secretarias de Segurança para a criação de estatísticas. É o terreno em que a mídia se move da pior forma possível, com preconceito, sem profundidade, sem apuração, não se importando com trajetórias de vida, apenas transformando crianças em monstros", acusa.

Segundo ele, se um adulto comete um crime, vai parar nas páginas policias. Já no caso de um adolescente que comete um crime, principalmente com morte, isso gera uma manchete, já que não é comum um adolescente sair matando. Essa diferença de tratamento deixa a criminalidade entre os adolescentes mais visível para a sociedade.

A coordenadora do MNMMR também acredita que a imprensa já cometeu muitos equívocos, principalmente na forma de divulgar o ECA. "O Código de Defesa do Consumidor é um bom exemplo. Ele funciona muito bem porque a população, através dos meios de comunicação, o absorveu muito bem. Com o Estatuto, aconteceu o contrário. A discussão ficou somente reduzida ao temor de se estar dando muita proteção aos 'menores', como ainda eram chamados", opina Jussara. Segundo ela, isso ocorreu porque a sociedade compartilhava a noção de que "menor" era o pobre, o favelado, o trombadinha, e a lei só servia para eles. As classes mais favorecidas não colocavam suas crianças na discussão.

[ << anterior ] [ próximo >>]