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Os mitos da violência adolescente

O oficial de comunicação e projetos na área de adolescência e privação de Liberdade do Fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência — Unicef —, Mário Volpi, diz que a opinião pública sofre a influência de três mitos quanto analisa o tema da maioridade penal.

O primeiro deles é que agravar pena diminui os delitos. "Há uma idéia de que o agravamento da pena diminuiria o número de delitos que ocorrem na sociedade. A idéia de que um criminoso consulta o Código Penal antes de cometer um delito e pensa 'Opa! Esse delito é grave, não vou cometê-lo' cai por terra quando se analisa a sociedade americana, por exemplo, em que há pena de morte na maioria dos estados, e mesmo assim, nos últimos cinco anos, houve um aumento de sete vezes nos delitos graves", diz Volpi.

O oficial aponta como segundo mito o hiperdimensionamento do problema. Ele diz que as pessoas acreditam que existem milhões de adolescente cometendo delitos pelas ruas de maneira ousada. "Há um segmento da mídia que alimenta esse hiperdimensionamento. Quando se estuda estatisticamente o fenômeno, observa-se que o número de delitos cometidos por adolescentes é menor do que 10% do total de delitos cometidos em todo o país", afirma.

O terceiro é o mito da periculosidade do adolescente. Fala-se, principalmente nos meios de comunicação, por causa do sensacionalismo, que eles são ousados, violentos, etc. "Na verdade, quase 80% dos delitos são contra o patrimônio, e não contra a vida", avalia Volpi. Isso tudo, segundo o oficial, alimenta no imaginário da sociedade a idéia de que o problema da violência tem a ver com o problema da adolescência e que, combatendo o adolescente, a sociedade será menos violenta.


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