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Reflexo da violência?

De acordo com uma pesquisa divulgada em setembro pela Agência Estado, 87,9% dos brasileiros são a favor da redução da idade penal de 18 para 16 anos. A pesquisa foi realizada nas principais capitais e nas grandes cidades do país, entre os meses de julho e agosto, pela Toledo & Associados, que ouviu 3,1 mil pessoas.

A mesma pesquisa também apontou que a maioria dos entrevistados é favorável à pena de morte e à utilização das Forças Armadas nas cidades em alguns casos, como para combater o tráfico de drogas.

O Educacional também realizou uma enquete entre seus usuários, perguntando se eles concordavam ou não com a redução da maioridade penal. Dos 923 votantes, 74% se manifestaram a favor e 26%, contra.

"O que querem fazer com a redução da maioridade penal é uma vingança pública com uma classe social empobrecida, porque essa discussão é, na verdade, uma luta de classes. Um garoto da classe A não vai parar na cadeia, assim como acontece com os adultos", afirma o promotor da Vara da Infância e Adolescência de Curitiba, Mário Luiz Ramidoff. Ele diz que o resultado desse tipo de pesquisa é motivado pela situação atual de violência em que vive o país. "As pessoas vivem sob uma constante sensação de impunidade, o que faz com que elas procurem saídas fáceis para a situação", opina.

A reportagem do Educacional procurou apurar o porquê desses resultados nas pesquisas. Segundo os entrevistados, os principais motivos são a falta de informação e a crença em alguns mitos que a sociedade perpetua em torno do assunto. Os especialistas ouvidos foram unânimes ao afirmar que as pessoas desconhecem o destino de um adolescente que comete qualquer tipo de delito.

Ramidoff diz que o resultado da pesquisa pode não refletir diretamente a realidade, já que a forma de aplicação do questionário pode influenciar o resultado. Segundo ele, a metodologia utilizada na pesquisa apontava para "aquele grupinho que está na esquina fazendo bagunça, assaltando, drogando-se", o que incitava o entrevistado a responder "sim". "Mas, se a pergunta fosse 'o que deve ser feito com o filho do entrevistado que resolveu atirar uma pedra na janela do vizinho', o resultado, com certeza, seria outro", completa o promotor.

Ele ressalta ainda que, mesmo partindo dessa situação adversa, cerca de 12% dos entrevistados disseram que preferiam a solução pela educação em vez da punição, o que, para o promotor, mostra uma mudança de compreensão do mundo por grande parte da sociedade. "Até hoje, todas as medidas do nosso sistema penal que vêm tentando controlar e assegurar as liberdades públicas não têm funcionado. As pessoas já começam a perceber que isso não está levando a lugar algum e vão apostar em alternativas".

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