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Mary Wollstonecraft (1759 - 1797)

Mary Wollstonecraft lançou as bases do feminismo moderno no livro Vindication of the Rights of Woman (1790)

Mary Wollstonecraft nasceu em Spitalfields, Londres, em 1759. Filha de um humilde tecelão, ela teria um destino nada convencional para as garotas da época. Sua trajetória como jornalista, editora e ativista dos direitos das mulheres começa em 1784, quando funda com a irmã, Eliza, uma escola em Newington Green.
Tão logo chega ao vilarejo, nos arredores de Hackney, passa a freqüentar a capela do ministro Richard Price, um pastor anglicano de idéias avançadas. Ele era o líder dos Dissidentes Racionais. Esse grupo pregava que, em vez dos dogmas cristãos - como o pecado original ou o juízo final - cabia à razão e à consciência individual orientar as decisões morais.

Essa visão religiosa e os sermões em apoio à Revolução Americana fazem com que Richard Price seja acusado de ateísmo e visto com hostilidade pelos demais anglicanos. Por causa de sua convivência com o ministro, Mary conhece o editor Joseph Johnson. Ele fica encantado com suas idéias sobre educação e encomenda-lhe um livro a respeito. A experiência de Mary como professora culminaria na publicação de Reflexões sobre Educação de Filhas (1786).

Na obra, Mary analisa as restrições educacionais impostas às jovens alunas, que as mantinham em um estado de "ignorância e dependência". Ela se mostra especialmente crítica da sociedade que encorajava as moças a serem "dóceis e atentas à aparência". Finalmente, sugere uma ampla reforma do currículo escolar.

Em novembro de 1789, Richard Price faz um sermão em favor da Revolução Francesa, no qual afirma que o povo inglês também tinha o direito de destronar um rei, se este fosse cruel. O sermão motiva Mary a dedicar-se a escritos políticos sobre os mais variados temas, do tráfico de escravos à forma injusta como os pobres eram tratados.

Um destes artigos, A Reivindicação dos Direitos do Homem, chama a atenção de autores como Tom Paine, William Blake, Edmund Burke, Rousseau e Voltaire. E faz com que as idéias da autora sejam discutidas nos principais círculos intelectuais da França e do Reino Unido. Em seguida, ela publica sua obra mais importante, A Reivindicação dos Direitos da Mulher (1790), em que lança as bases do feminismo moderno.

Mary via a educação como uma forma de as mulheres conquistarem um melhor status econômico, político e social. Não só defendia que elas tinham direito à educação como afirmava que da eqüidade na formação de ambos os sexos dependia o progresso da sociedade. "Enquanto a política difundir liberdade, a humanidade, incluindo as mulheres, se tornará mais sábia e virtuosa", dizia.

Em uma de suas teses mais bombásticas, diz que o casamento é uma espécie de "prostituição legal", que as mulheres são "escravos convenientes" e que a única maneira de continuar livre é se manter longe do altar. Ao se opor ao matrimônio, ela propõe às mulheres que se livrem de seus velhos estereótipos emocionais para conquistar um lugar na sociedade.

Suas idéias controvertidas sobre o casamento estão representadas no conto Maria, em que a protagonista é internada em um hospital para doentes mentais, obra dos maus-tratos do marido.

Mary teve duas filhas. A primeira, Fanny, com o escritor Gilbert Imlay. Em junho de 1797, nasce a segunda, que recebe o nome da mãe, do casamento com o também homem de letras William Godwin.

O saudável bebê viria a se tornar uma das grandes escritoras inglesas, Mary Shelley, autora de Frankstein. Mas na tentativa de retirar a placenta, que ficara presa no útero, a ativista tem uma hemorragia e morre por complicações no parto, três meses depois.
Ela não viveu para ver seus ideais se tornarem realidade nos dois séculos que se seguiram, mas é famosa a sua frase: "Eu dei um tapa com minha luva, agora é hora de restaurar às mulheres a dignidade perdida e fazê-las parte da espécie humana."