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A história que se repete

Pureza é uma cidade com 6 mil habitantes. Segundo Henrique Santana, 40, ex-prefeito do município, o maior atrativo da região é a nascente do Rio Massaranguape, que passa por seis municípios, e uma pequena lagoa, conhecida como Olheiro de Pureza, de águas cristalinas.

A lagoa e o rio são frutos de uma falha que permite que a água de dois lençóis freáticos alcance a superfície. E, embora o ex-prefeito tenha dedicado parte de sua vida profissional ao mapeamento de águas contaminadas, em Pureza, todo o esgoto é jogado no subsolo. “Eu acho isso um crime. Deveria ser criada uma lei no país que proibisse que o esgoto seja jogado no subsolo. As prefeituras que fizessem o possível para cumprir a lei”, diz Santana.

Pergunto então por que ele não aproveitou a época em que era prefeito para colocar em prática sua teoria. A resposta resvala em duas questões políticas: burocracia e dotação orçamentária.

Durante o período em que dirigiu o município, Santana conseguiu R$ 280 mil para obras de saneamento e investiu tudo o que foi possível na construção de coletores e interceptores de esgoto. Para que o sistema de coleta e tratamento fosse concluído, seriam necessários mais R$ 1 milhão. Como esse dinheiro não foi liberado, o esgoto da cidade continua sendo jogado no lençol freático.

Nesse período em que as obras de tratamento da água ficaram paralisadas, foram construídos, na cidade, o Palácio das Águas, uma espécie de ginásio de esportes que custou R$ 250 mil, e a Praça da Água Doce, de R$ 300 mil.

“Se eu pudesse, toda essa quantia seria investida em saneamento básico. Mas, quando é liberado pelo governo federal, esse dinheiro já tem destino certo. Não podemos gastar um centavo sequer em outro projeto, mesmo que o uso dele possa ser melhor”, explica Santana.

Sem a conclusão da obra sanitária, Pureza, como tantas outras cidades da região, está fadada a repetir o erro da capital do estado e continuar contaminando suas águas.

E como apenas coletores e interceptores não resolvem o problema, a menos que o novo prefeito decida dar prosseguimento às obras de construção do sistema de tratamento sanitário, o município terá literalmente jogado R$ 280 mil no esgoto.

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