Escolas combatem obesidade no Paraná
Hora do recreio. A criançada se aglomera em volta da cantina à
procura das mais variadas guloseimas. Doces, salgadinhos, sorvetes e refrigerantes
estão entre as preferidas dos alunos. A cena que imaginamos acima pode
ser vista na maioria das escolas brasileiras, menos nas situadas no estado do
Paraná. Isso porque, no último mês de junho, o governo paranaense
criou uma lei que proíbe a venda de alimentos com alto valor calórico
e baixo valor nutricional nos estabelecimentos de ensino do estado, tanto públicos
quanto particulares.
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| A estudante Elisa Dinelli achou boa a
idéia de proibir a venda de doces e salgadinhos nas cantinas das
escolas. |
A medida causou muita polêmica entre os estudantes. A maioria se mostrou
inconformada com o fato de não ter mais à disposição,
nas prateleiras das cantinas, doces e salgadinhos. “Não gostei
muito disso, pois sempre costumo comprar uns docinhos na hora do intervalo”,
conta Bruno de Oliveira, aluno da 6.ª série do Colégio Paranaense,
de Curitiba. “Quando a cantina do colégio não vender mais
doces, vou comprar na banquinha da frente”, planeja. Segundo o governo,
o principal objetivo da nova lei é fazer com que os estudantes comam
alimentos mais saudáveis, como sanduíches e sucos naturais, em
vez de guloseimas ricas em calorias. As escolas têm até o final
deste ano para se adequarem à nova regulamentação.
“Sério? Não acredito!”. Essa foi a reação
da aluna Juliana Valdivieso, do Grupo Escolar D. Pedro II, ao tomar conhecimento
do fim da venda de guloseimas nas cantinas das escolas. Acostumada a fazer “uma
boquinha” na hora do recreio, a estudante, que está na 5.ª
série, além de ter ficado surpresa, lamenta a atitude. “É
uma pena. Tudo o que eu mais gosto de comer eles vão proibir”,
conta, referindo-se aos salgadinhos, refrigerantes e balas. O aluno Matheus
Sales Pereira Neto, do Colégio Pinheiro do Paraná, também
se mostrou contrariado. “Quem são eles para dizer o que eu devo
ou não comer? Acho que cada um tem o direito de comer o que quiser”,
diz.
Desaprovações à parte, o Ministério Público
informou que, depois que estiver esgotado o prazo de 180 dias para as instituições
se adaptarem à nova lei, serão feitas visitas aos colégios
do estado para ver se eles estão cumprindo-a. Apesar de a maioria dos
alunos ter ficado frustrada com a medida, alguns simpatizaram com a idéia.
“Achei uma boa atitude, pois hoje em dia não temos muitas opções
de alimentos saudáveis na cantina, como sanduíches naturais e
suco de frutas. E os alunos que não gostam muito de salgadinhos e doces
não vão mais precisar trazer lanche de casa”, afirma Elisa
Dinelli, aluna da 6.ª série do Colégio Paranaense, uma das
poucas a concordar com a proposta do governo.
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| O estudante Matheus Sales Pereira Neto:
“cada um tem o direito de comer o que quiser”. |
Segundo a nutricionista Sheyla Santos Quelle Alonso, a principal medida que
o estado deveria tomar é conscientizar as crianças sobre a importância
de terem uma alimentação saudável. “Acho importante
e válida esse tipo de ação; entretanto, deveria haver também
um trabalho de educação e orientação para que as
crianças soubessem o porquê dessas restrições. O
caminho não é a proibição, mas, sim, a educação”,
ressalta. Já para a professora e nutricionista Isa de Pádua Cintra,
a nova lei é apenas um começo. Ela afirma que o papel dos pais
na alimentação dos filhos é outro fator que deve ser levado
em conta. “Essa medida tomada pelo governo do Paraná é positiva,
mas não é só isso o que deve ser feito. Acredito que esse
é apenas um passo, pois ainda há muito a se fazer, a começar
pelos pais, que devem prestar mais atenção na alimentação
dos filhos. Muitas vezes são eles que preparam o lanche das crianças,
e o que se vê dentro da lancheira? Doces e salgadinhos. Acho que a mudança
deve começar por aí”, opina.