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Por Guilherme Prendin

Neurônios como equipamento principal

Estudantes de diversos países do mundo se encontram anualmente em uma competição onde, ao contrário das Olimpídas tradicionais, o físico não conta. Nela é preciso usar, e muito, a inteligência para conquistar a vitória.

 

Uma vez por ano, durante dois dias consecutivos, alunos de várias partes do mundo enfrentam uma verdadeira maratona de exercícios. Mas quem pensa que se trata de alguma competição esportiva, como é de se esperar, engana-se. A disputa em questão consiste em exercitar a mente, e não o corpo: desde 1959, a International Mathematical Olympic — IMO —, ou Olimpíada Internacional de Matemática, reúne em um mesmo local alunos da 5.ª série até o 3.º ano do Ensino Médio para decidir quem é o mais “fera” nessa matéria. Há também espaço para os estudantes universitários, na International Mathematical Competition for University Students (Competição Internacional de Matemática para Estudantes Universitários), que neste ano resultou em medalha de ouro para o Brasil.

Diferentemente das tradicionais olimpíadas esportivas, em que as metas são quebrar recordes e superar os limites do próprio corpo, na IMO o objetivo principal é resolver, em um espaço de algumas horas, complexos e desafiadores problemas matemáticos. A competição é considerada pela Organização das Nações Unidas para a Educação — Unesco — uma das mais importantes nessa área.

Na edição 2004 dessa competição, que foi realizada em Atenas pouco antes dos Jogos Olímpicos, estudantes de 85 países estiveram presentes. Eles tiveram de resolver, em cada um dos dias, três problemas, em quatro horas e meia de prova. “Se considerarmos o número de questões e o tempo em que deviam ser respondidas, poderemos ter uma idéia da dificuldade delas”, afirma o coordenador do Projeto Nacional de Olimpíadas de Matemática, professor Edmilson Motta.

E se nos esportes olímpicos o Brasil tem mostrado ao longo dos anos uma participação discreta, nas Olimpíadas de Matemática, como revela a edição de 2004, os brasileiros têm do que se orgulhar. Todos os seis “atletas” que estiveram na IMO ganharam medalhas: duas de prata e quatro de bronze, o que colocou o Brasil na 21.ª posição na classificação geral, a segunda melhor do país na história desses “jogos”. O Brasil foi também o mais bem colocado entre os países ibero-americanos, ficando à frente até mesmo de forças tradicionais, como Alemanha e França. O maior vencedor da história é a China.

Desde 1979, quando participou da IMO pela primeira vez, o Brasil já conquistou 62 medalhas: 6 de ouro, 11 de prata e 45 de bronze. “Neste ano, apesar de não termos ultrapassado nossa melhor marca, que atingimos em 2001, quando ficamos no 16.º lugar geral, estamos satisfeitos com a participação de nossos alunos. Afinal, nenhum membro de nossa equipe voltou de mãos vazias para casa”, comemora o vice-líder da equipe brasileira, o professor Carlos Yuzo Shine.

Para Rafael Daigo Hirama, um dos seis medalhistas brasileiros em Atenas, a conquista da prata na IMO foi um dos principais momentos de sua carreira como competidor olímpico: “Foi realmente muito difícil e bastante disputado, pois lá havia muita gente boa”, afirma Rafael, fazendo questão de ressaltar a qualidade dos adversários. A medalha conquistada por esse estudante de Campinas (SP) não foi obra do acaso, mas, sim, fruto de muito empenho, dedicação e até mesmo sacrifício pessoal. “Cheguei a Atenas mais ou menos um mês antes do início das Olimpíadas de Matemática. Deixei a escola, a família, tudo de lado só para ficar estudando. Mas, no final, o esforço valeu a pena”, garante o aluno, que participa da competição há 5 anos. E, além da IMO, Rafael, que atualmente cursa o 3.º ano do Ensino Médio, já participou de outras competições do gênero: “Já participei de diversos campeonatos nessa área, alguns deles fora do país, como a Olimpíada do Cone Sul”. Por estar concluindo o Ensino Médio, essa foi a última participação de Rafael na IMO. A despedida, segundo ele, foi muito positiva. “Posso dizer que fechei minha participação com chave de ouro”, orgulha-se.

Outro brasileiro que se destacou foi o carioca Fábio Dias Moreira, estudante do Instituto de Matemática Pura e Aplicada — Impa —, que conquistou uma das quatro medalhas de bronze para o Brasil. Assim como Rafael, Fábio também já possui experiência nesse tipo de competição: “Eu já havia participado da IMO ano passado, em Tóquio, no Japão. Sem dúvida, essa é uma competição bastante acirrada, pois são cerca de 500 competidores brigando diretamente por medalha”, ressalta. Com o bom resultado assegurado, ele afirma que sua intenção é continuar os estudos na área de Matemática e ainda participar de olimpíadas universitárias no futuro. “Meu objetivo é prosseguir estudando Matemática na graduação e no doutorado. Mesmo assim, pretendo continuar competindo em outras olimpíadas, em nível universitário, como a IMC e a OBM-U”.

Desempenho dos brasileiros na IMO 2004

Medalha de prata:
Gabriel Tavares Bujokas — São Paulo (SP)
Rafael Daigo Hirama — Campinas (SP)

Medalha de bronze:
Fábio Dias Moreira — Rio de Janeiro (RJ)
Henry Wei Cheng Hsu — São Paulo (SP)
Rafael Marini Silva — Rio de Janeiro (RJ)
Thiago Costa Leite Santos — São Paulo (SP)

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